O círculo é uma reta sem ambição

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Quem tem autoridade para analisar timtim por timtim a História? é quem sabe me dizer a razão de ser das coisas; mas, mal sabe, andando na rua, que cada passo seu rasga imensamente em um corte transversal e violento todas as páginas e seus infinitos parágrafos?


Como  conter a vida em linha, como hospedar todas as vozes do mundo no próprio solilóquio se cada palavra abriga um mundo dilatado no tempo.


                Quero uma puta sentando nas minhas costas, e outra pelada fumando um baseado pela bunda.                 Cinco vadias nuas e eu, mulher nua erguendo meu pau por ai. 

Vão me dizer varias coisas, e eu só vou carregar a certeza de que a cada esquina inauguro um novo tempo e descubro que por aqui se ama diferente, se sente diferente. Por aqui, se chora um pai diferente, e as mães carregam no peito toda uma tristeza que só aquieta quando acomodam no peito uma filha ou um filho diferente. Da esquina pra cá não há poemetos, certezas e nem Deus dispondo maravilhas pelos céus e pelas árvores; por aqui caminha-se mais certo e se transa mais bruto. 

Por aqui, não há diagrama que contenha o andar das ruas e os gritos escapando da academia; por aqui as mulheres podem todas andar nuas, viradas de ponta cabeça e os homem gritam peludos desejos enquanto masturbam seus filhos com promessas de futuro. Podem tudo isso, sem que saibam que no meio deles anda um estrangeiro, vestido como quem vêem expulso da terra prometida, carregando certezas sobre o jeito como que se erguem os prédios e as casas todas. 




Vou chorar sozinho no canto, quando descobrir que o homem é como uma planta que cresce rija e dura quando lhe dão água e sol; e murcha quando lhe apontam só a sombra, o frio e a noite. E que como o fungo da minha virilha, cresce satisfeito até que descubram seu traçado escamoso e seu aspecto podre.





quarta-feira, 15 de novembro de 2023

 ela é bonita porque tem olhinhos puxados, como os meus.



sexta-feira, 10 de novembro de 2023


                 

                                                      2023.happy as a master of pupetties. 2023

terça-feira, 7 de novembro de 2023

muito medo

Meu palpite para o verdadeiro apocalipse, para derradeira revelação: quando as coisas do mundo, a matéria, não resistir mais à vontade e à imaginação. Às vezes acho que o tempo é só o universo se fazendo sozinho, e que tudo que o homem toca é só um jeito da natureza se fazer.

Me apavora descobrir como meu mundo é feito: Meu mundo mesmo, das coisas cotidianas.

A mesa do meu quarto, na qual escrevo, é feita de pinus, envernizado e encerado; consigo hoje imediatamente visualizar como, bruta a madeira, aparelhada e cortada, parafusaram aqui e ali, instalaram dobradiças e rodízios, e puseram na ordem do dia esta pequena escrivaninha. Sei, não porque fui alfabetizado e dai ter lido algum manual, mas porque vi, não só um trabalho, distante e abstrato, mas um tipo de trabalho que conheço fazendo minha mesa ficar de pé. Tanto quanto, desde então soube que nem mesmo um homem experimentado, senhor de suas mãos, que conheça cada veio do seu palmo e mova com destreza milimetrica seus dedos, é capaz de por de pé uma única mesa, tão desnecessária. Faltariam às suas mãos o calor de um forno para fundir os metais dos parafusos, e os circuítos para por em funcionamento qualquer parafusadeira barata. Passei toda minha vida sem saber, sem realmente saber, que minha mão, ela sozinha, jamais seria capaz de construir uma única mesa...

Hoje sei que nem minhas pernas ando sem que me pertube a certeza de que há outros tantos para dobrar cada uma das minhas juntas. E que minhas mãos que tanto amo em sua artesania não são mais que carne frouxa sozinhas. Cada passo meu todo o universo é evocado: todo o universo, em sincrônia, me pede as contas, e me diz que posso seguir. A cada passo exigo de Deus uma resposta: e a ele, toda vez que ando, toda vez que pulso, por mais ligeiro que seja, é dada a escolha entre me devolver um sim ou um não. 

       tenho medo do o, tanto quanto do sim extendindo no máximo de sua extensão. Tenho medo do peso as pernas um dias venham a ter, das minhas mãos frágeis e quebradiças, dos milhões de passos que cobre uma única mesa; de que um único homem não seja mais capaz de nada. Há de chegar um dia que olhando o mundo qualquer um dê de ombros, certo de que com seu corpo não chegarrá com nem mesmo ao túmulo.

domingo, 20 de agosto de 2023

 

Deter a atenção às coisas, aos móveis, ao barulho da televisão, ao mundo que acontece num ritmo que não pede cambalhotas. Reencontrar no corpo um jeito de dispor a vida sem que afetem ânimos de toda espécie, sem fabricar dueloscelestiais entre anjos e demonios. Relembrar o andar disperso da criança, deitar no sofá da vida e ver, naqueles dias de domingo, a vida acontecer: o jeito sereno das sonecas do meu pai, o jeito despojado de cantar da minha mãe; tudo fluindo sem peso. Sem jamais perguntar se na tranquilidade do olhar, no seu jeito tranquilo de dormir, não se ocultavam instransponíveis ao olhar da criança, as suas imensas angústias. Recuperar a realidade de um olhar, na mais farsesca inocência; sem pedir atestados, sem desenrolar filosofias, sem querer recobrar à vida coerência das suas partes.  Saber que no céu só se projetam fantasias.

Descer, abrir os olhos e ver: uma mulher velha, cabelos brancos e um olhar sempre triste; um homem quieto, sempre confortável nas margens de sua insondável angustia; outro homem, tão quieto, tão quieto, que em sua boca cresceram pelos e seu rosto, uma imensa carranca, endureceu em olhar severo. Pedir a deus, paciência. Cobra-lo o direto de um olhar tranquilo, despir-se das fantasias e reconhecer meu silêncio entre silêncios; como queito, sou eu, o silêncio, a embranquecer cabelos e engolir as margens cada vez mais estreitas do insondável. Não permitir jamias a dureza da carranca, nem o abrir do abismo.

Vencer o silêncio sem berros, sem o desespero histérico; ouvir o ruido da televisão, minha mãe chamando a distância. Sem cambalhotas, sem anjos, sem demônios. 

terça-feira, 18 de julho de 2023

´[im not trying to be a poet, is just that i am a maniac and sometimes my mind, when im not shaking of  orgiastic thoughts, make me writh something down] ( i like my mania and i hate normal people, like people that dont know god, and just justifie their stupidy with psicanalises)



o mundo se acabasse por um instante, 

a começar pelos meus dedos,

separados por uma insondável distância.

Boiando em um lago silencioso

recoberto pela bruma da floresta e 

caminhasse aos poucos,

esse acabar do mundo, do tato dos meus dedos ao sentir

do tapete, e ao flutuar da minha cabeça.


O mundo se abrisse às palavras e dissesse que brincasse.

Como se Deus sentasse ao meu lado e pusesse-me, mãos dadas,

a caminhar por um imenso fliperama. E cada forma

cunhasse com minhas próprias mãos,

como se aspirasse pó e cuspisse em fogo 

o barro torneado em 

brilhosa cerâmica.


O mundo fosse todo cospido da minha

boca, e engolido em regojizo de volta 

ao pó; e miserável eu morresse mais uma

vez. Cada vez menos assustado, como que

resignado, por saber que morrer seria

como que a prosa que me faz viver.


Saberia então que não delirei.


E percoresse o jardim secreto do meu ser

acordado despertado do sono, feito

imensa criatura, em sentimento de louvor.

Mas terrivel, asssustado, os olhos vagando 

apavorados, boiando em imensa praia

recorreria aos nomes das coisas e pediria ao horizonte

que me trouxesse a forma discernível dos seus barcos. 

Que fossem imensas caravelas, despontando ao virginal olhar,

cravando formas conhecidas, perdido em encanto, flertando o perigo;

sondaria as forma ascultando certezas, veria a cruz malta a selar

meu destino.


Antes que o mundo se recobrisse

antes que as névoa se dissipasse

antes que pouse a caravela, deçam os 

homens, as leis, a fé, o império e o rei,

verei, neste instante, de fulgor e

pavor, meu mundo inteiro boiar,

insondável

terça-feira, 6 de junho de 2023

  a vida carregada à enésima potência, milhão e outros mil voltz: meu pequeno mundo descargado em tempestade, Hans Castorp desceu de montanha em guerra. Nasci em Maringá, Morri na Piazza São Marcos. Pandemia. Amores. Tem gente que tem o rabo plugado na tomada: tem que gente que tem o  funcionamento normal, circuitos bem ajambrados, manutenção em dia, disjuntores e resistores em bom estado; meu rabo foi plugado na tomada, acelerado em bilhões de voltz: tiraram todos os resistores e me deixaram ali à espera, na eterna promessa de me ligarem. Carregaram aos bilhões, enquanto isso fabulei mil encantos em elétrons, batalhei milhões de particulas e vibrei em sincrônia com o ritmo do mundo: quando me descargaram enfim, descobri, para minha surpresa, que era só uma lâmpada. Acendi incandecente e brilhei amarelo claro toda uma casa em único encanto; quando, então, explodi num seco ploft. Não vi uma grande tempesatade e não tive o prazer de conhecer os mares nem de buscar Helena em Troia. Meu pequeno mundo fabulou um universo dentro de sí, desvendou seus componentes e terminou em curto-circuito; bastou consultar um técnico qualquer para me por em ordem e em funcionamento:  era uma questão simples, problema de contenção de energia. 

Foi desde então que aprendi o dom de acender mil luzes em uma, e de queimar o circuito até o limite do boom. Foi naquela explosão, quando a energia, enfim dissipada, retornou ao mundo: e o bulbo de vidro quebrado, ficou trincado, foi que aprendi a articular novos componentes, soldar meus metaís, desenrolar os fios e maquinar engenharias : pois, agora vou fazer toda luz brilhar em holofotes, vou projetar nas paredes do mundo meu jogo de luz.


terça-feira, 16 de maio de 2023



tinha dois caminhos

não escolhi nenhum,

terminei com as pernas abertas e uma terrível confusâo:

quando eu gozo, eu ponho pra fora.

Mas o que eu ponho, eu penso pra dentro.


quando eu morrer vão dizer:


na verdade, 

nada. 

Não tinha nada, nem uma coisa terminada.

do homem acabado,

este sim, um dia vão dizer:


na verdade,

nada.

Isto depois, é claro, que seu último amigo morrer,

até lá vão dizer:

- vejam como é tudo acabado. como é bom ver assim, terminada.




este homem, tenho certeza, segue bem o seu caminho:

pôe tudo pra fora, e nada pra dentro.




segunda-feira, 15 de maio de 2023

domingo, 14 de maio de 2023





é engraçado,

o tempo passa, eu mudo, 

o mundo fica diferente,

te esqueço, te ponho de lado

conheço outras mil, me apaixono,

reparo que te desconheço

que nunca te conheci

e que entre eu e você sempre foi

eu,

e nunca teve 

você




Não importa, o tempo passa,

quando vejo

o mundo acontecer  em silêncio

vejo

o verde

vejo

a cidade

vejo 

algo que não sei bem o que

vejo 

algo que chamo de beleza

vejo 

você.



 o homem inventou grandes pontes, viadutos de concreto. Suspendeu da terra, passando pelo ar e pela água, rios e mares: firmes, maciços e colossais. Obras da certeza humana, da precisão da engenharia e da grosseiria da ambição. Firmamos sobre a terra milenar, sobre as rochas, nosso projeto de eternidade. Não soubemos invertar ainda grandes ondas, nem os tornados e a ventania, mas em concreto ousamos postular nossa criação, ousamos discorrer sobre a crostra terrestre, sobre a dureza das rocha e sobre o que há de mais eterno ao alcance da nossa visão. Soubemos emular os grandes canyons, as grandes montanhas e as rochas colossais; como não soubemos imitar as ventanias, fabricar nuvens carregadas e construir tsunamis.


O homem em pesadelo, entretanto, sonha: o grande vento e o tempo, lentamente, a corroer sua criação, silencioso: uivando e cravando em concreto a indiferença da sua sentença. Um dia, sem mais, - não será o concreto desmanchando, não serão as particulas se desfazendo - o colosso ruirá unissono: sepulcral. E nós, nas pontes, nos viadutos, iremos buscar refúgio no mar, saltaremos pelo ar: em desespero, veremos que mesmo os blocos grosseiros de concreto caem navegando o tempo e o vento. E afundam no fundo do mar.


                                                                                    *

Nós desconhecemos as ruínas, nós excomungamos a morte: levamos o fim ao limite da abstração. Os Incas cresceram às sombras da ruína Wari; os Europeus, saudaram as ruínas gregas e romanas como templo, traçaram por cima dos antigos caminhos romanos as direções do seu tempo; Quando há 200 anos, surgiram as antigas ruinas mesopotâmicas, era o passado bíblico posto real e findo. Mais que real, os povos ameríndio viveram sua ruína na concretude do corpo e da pele. 

Só nosso tempo desconhece a ruína: as pirâmedes não testemunham o passado morto, mas o turismo - torto. No grande túmulo da Piramde de Gizé, há mileanos, celebraram a morte, antigos faróis, esperavam a visita à sóis: são algumas dezenas de turistas - chineses, japoneses, americanos, franceses - que encurralados, atolados, quem apertados no estreito caminho do além. Onde morreram secos judeus, onde queimaram vivos, desidratados: andam, agora, entediados turistas - chineses, japoneses, americanos, franceses .

 Foi por medo da morte que inventamos os museus: queremos que tudo nos pertença, nada nos escape, que não haja limite à compreensão. Decretamos o fim das coisas: seu ingresso ao nosso pretenso eterno presente. Conservamos as paredes de antigos afrescos romanos, as tumbas dos antigos reis, os cocares e as argilas, porque pertencem à História: pertencem ao tempo passado incorporado. Esquecemos que a História é total, que todo fenômeno é um processo global; e a unidade do acontecimento é a particula molecular de todo um longo andamento. Como selar as bordas do tempo? Como postular um passado, findo, distânte e impertencente, portanto, abstrato e impotente; como preservar um afresco a integridade da história, se a todo tempo lhe cruzam e lhe cravam mais memórias; se preservar é discorrer no tempo - um ato, um fato - como podemos querer ali.. (continuar) . 

quarta-feira, 10 de maio de 2023

Transe

 

Transe 

os carros

em particulas de infinito desejo, abertos

para toda maquinaria, despidos em

fulguroza, toda oculta, engenharia:

em ritmo pulsante, São Paulo

e eu discutiamos as traquitanias

do novo mundo,

enquanto meu corpo morimbundo

restava todo imundo,

encostado a cabeça no ar

e a janela com olhar

cintilante

parecia começar a me encarar.


Meu desejo perscultava mil anjos celestiais;

Meu corpo contorcia-se em mil chicotadas de seres bestiais,

Meus olhos viam nove, só nove automovéis e a rua quase vazia

e via e ria, enquanto transavam os carros 

suas maquinárias infernais

e dobravam-se as pernas em estados transcendentais.

gozavam os automovéis, em altos

gemidos roucos e os ônibus

carregando os loucos

 tremiam em insana alegria:

minha mente concebia

sua primeira 

fantasia.






quinta-feira, 4 de maio de 2023

tratado da geometria do homem.

Considerem um espaço plano, limpo e ausente de tudo. Nesse plano imaginem algumas formas que se sucedem sucessivamente:


1. Um ponto. É o principio, é desejo perfeitamente retido;

2. Uma reta. É um acontecimento, é desejar;

3. Um circulo. É uma reta sem ambição, é ausência de desejo;

4. Uma espiral. É reta feita círculo a contra-gosto. 

 (a) desejo retido em si, caminho da loucura; redondamente oposta 

ao círculo, é ambição irrefreada posta, cruelmente, a circular. 

ou (b) desejo por objeto perdido, caminho de uma loucura branda. 

É a linha circunspecta, andando em círculos, querendo tornar a ser linha. 

5.  Uma cruz. É uma reta desesperada em busca da redenção.

6. Um quadrado. É a reta enquadrada, a reta de bem.




domingo, 30 de abril de 2023

pequenas graças

 pequenas graças:


o gracioso, o engraçado e o carismáticos: todos os três - acusa a internet - do grego charis, que no mundo Romano descreve a prática do patrono de dar ao cliente um favor irretribuível; sem obrigação - em caso da qual, em regime de total submissão, dizemos obrigado. Derivam-se os três, um no belo, um no cômico e um no amigável; mas, nos afeiçoamos por de trás - acenam satisfeitos os marxistas -  a um antigo e milinear patrono em sua engraçada graciosidade carismática a nos agraciar com, de seu imenso latifúndio, um pouco de  caridade. A ele, só nos resta dizer, somos agradecidos!









disso sei, que deus existe em sua graça; mas que ela não é de graça. É um estado matérico gracioso, uma situação material engraçada; uma condição única de graça. Agradeça, para não dizer, obrigado.

a grande onda

 


os budistas já sabiam (digo em homenagem à miguilim e aos Maias): o apocalipse é agora e toda hora. Mas bem, pensei: quem sabe não somos, justamente, o desfazer de uma ordem pregressa... A tal da redenção não se maquina agora e nós eternamente revelados somos só, e tão somente, uma grande revelação? Não se trata de negar teleologias: quem disse que nascemos por fazer, e não em processo de total desfaçamento? Não se trata de pleitear a tal da perfeição, mas reconhecer outro ponto, não do progresso, mas do eterno regresso. E se o retorno de Cristo deu-se entre os próprios Romanos: esqueceram de nos avisar e esperamos no ponto o onibus que só vai, voltar.

onde então estão as ondas, fadadas a nos levar? Quem disse que não somos o outro lado da arrebentação, ou a arrebatenção ela mesma; quem disse que não vemos as ondas, não porque inexistem, mas porque é delas que sondamos a superfície. Como algo, sinceramente, pode nascer e morrer? é o apocalipse, para ver e crer! São as ondas que surfamos e mergulhamos, é a eternidade na decorrência do seus planos. Não se trata, de negar o fim, nem o começo: mas de dilatar até o principio o principio do fim. Quem sabe um dia não olhemos pra trás, e vejemos a praia a se desenhar junto ao farol e ao cais. 



conversa i

 


miguel e eu assumimos que nem o maior dos ermitões aprende e gosta de conhecer pelo simples gostar de conhecer.  Quando disse a primeira vez: - sou apaixonado por História, não sabia as paixões ocultas que mediavam meu desejo, e nem parei e nem pensei que não se apaixona por história, porque não se estuda às mordidas, nem se lê com a boca e nem com o tato; e que o que os livros nos dão a ler, as mãos não decifram linhas. Quem já morreu de tesão sabe: a gente tenta encontrar jeito de comer as palavras; de sentir a carne da voz e encontrar como que aquele ponto misterioso em que  os polos magnéticos se repelem: sentir aquela tensão matérica surgida do nada, nas palavras. 

E bem, a gente ama e se apaixona pela carne em que se encarna a História, as palavras e o que tem para conhecer. Um dia, noutra boca, a gente descobre que nada é nada. E que se dorme em aula quando nos contam um teorema sem vibrar os olhos, ou nos leem um poema sem insuflar o peito. E a gente, desiludido,  se repara como quem vive a perseguir o nada. 


Por isso que gosto dos que me fazem vibrar; e digo, gosto de conhecer para apreender a melhor vibrar. Gosto da palavra extendida ao infinito da sua graça, porque é graciosa e engraçada. E se me ensinam o alfabeto  grego, o cirilíco, e mils kanji é sim, sim senhor, por que me mastubar em 26 letras é pouco e escasso: quero cruzar as palavras de todos os cantos. É para chorar um amor em versos líricos e mais tarde em irônia besta; para saber o sólido geométrico que melhor se encaixa na minha tristeza; para saber as etimologias, pra rir dos pedros, coitados, que são pedra; 

Por que ficar como beatificado; como Estilita; ficar sentado no gabinete, contando orgulhoso a autoridade moral intelectual, a certeza objetiva dos fatos. 

quem ainda quer ler o mundo? como se tivesse coisa pra ler. Nem faz 11 anos leram, um entre outros mil: o mundo acabaria. Coisa pior, sem mitologias:  não percebem recalcada mesmo na certeza objetiva dos fatos a suposição de uma redenção mal assumida . Se empanturram de números, se esquadrinham em gráficos e eixos e mesmo assim  não enxergam a imensa cruz. Sonham: Sair da caverna com um gesto heróico, ver dobrar o espaço rendido em apokálypsis, ver o revelar da farsa: a caverna dismanchar-se em planos não cartesianos, o tempo, desembaraçar-se. Mas bem, Não há redenção: O demiurgo não pensou nos fogos e não há plano por se manifestar, quando sair da caverna, anda-se em circulos. Não tocam sinos, não descem quatro cavaleiros, nem surge, dos céus,a tal da puta da babilônia. 

Para que então, reter-se, mortificar-se à espera de... 

por que cultivar a redenção oculta no estudo dos algoritimos, nas funções numéricas. alguém avise, A máquina do mundo não vai se abrir, o gabinete não será invadido por cachorros falantes; e não, não haverá pacto que resolva. Já se leu tudo e se fez, sem piada, uma bíblia, nem por isso a redenção chegou. Querem continuar a resmungar objetividade, como quem resmunga a certeza da volta de Cristo? vão desenrolar ao infinito o perímetro da circunfêrencia: vão andar em circulos rigorosamente. 

Ora, na ausência de explosões, sem dragões, pelo menos que nos divertêmos com o entrar e o sair da caverna. Deixem que se projetem todo um teatro nas sombras; não amolem, não encham o saco. Usem, pelo amor de deus, o saber oculto do mundo de lá para projetar deliciosas fodas, que se foda que sejam sombras. Façam como as criança e projetem  tosquíssimos animais feitos com o contorcionismo das mãos.

 Fiquem ai os disciplinados leitores, os ascéticos cientistas, circulando suas esferas, andando seus circulos à espera do seu cristo numérico. Vão perder o show das luzes e das sombras.


sábado, 29 de abril de 2023

principios

Deus nos deu a graça; 

tudo, então, deve tensionar ao infinitamente gracioso e ao infinitamente engraçado. 

domingo, 23 de abril de 2023

 são paulo e eu faziamos sexo anal

enquanto discutiamos a disposição animica

do homem para o mal:

    

    os mendigos perdidos caminhavam lentamente

    enquanto lançavam olhares vingativos

    e nos assassinavam em suas mentes:

    conjurando dragões e suspirando lanches.

    E os bares repletos de velhas barrigas

    contavam piadas cretinas enquanto

    chupavam-se mulheres com olhos;

    mulheres de salto, olhavm de cima, e

     despiam arrogantes mandamentos àquele garçom


       E eu, rendido, olhava cansado sem me levantar,

    mais um dia, um carro batido, um casal ferido

        sem que me levante, nem esboçe qualquer reação.

quarta-feira, 19 de abril de 2023


voltei hoje lendo um pequeno ensaio do Mann sobre o Sono - doce sono! - com a vista cansada e exausto. Achei irônico, primeiro, o encontro tão coincidente; ultimamente ando aceitando alguns sinais divínos: Tenho ouvido muito misticismo da boca do Leo. Sempre sobra às coitadas das marionetes  o fardo de suportar longas exposições sobre as formas alquímicas de desvelar o real, dessas coisas, um tanto demode, que os velhos dramaturgos ( e digo velho, porque dramaturgo, por sí só, já é espécie em extinção) encontram como forma de singularização. 

Bom, dia desses vi um adolescente japones improvisando ao som das Amazonas do Donato, me vi ali: como que preso olhando aquela figura estranhamente rigida tentando transmitir algum swing com sua disciplina nipônica e um trambolho enfiado na boca - era um saxofone ou um trompete. 

Pouco antes, reencontrei um texto besta sobre a linha, minha paixão pela linha e toda aquele interminável lerolero: deitado na cama, terminei a leitura e vi cair pela janela - e juro por Deus - brilhar de um jeito muito único, um fio perdido de uma teia de aranha. Pensei na hora algumas coisas sobre a tal da alma e o tal do Deus, que, naquele momento, pareciam no meu gozo discursivo, coisa irmanada, ou algo assim. Sei que essa única linha resolveu um angústia que carreguei por alguns meses; e juro, não é papo de missionário e nem de falsa poesia. 

Terça, ai sim, foi em forma mesmo de poesia, o enviado, divino arcanjo: joão cabral de melo neto, nada espirituoso ou de beatificante, mas por hora, Deus faz isso bem, cumpriu o dever de mensageiro divino.  Pela manhã, me mortificava - como um bom nipô-romântico - pela constrangedora inciativa de expôr  uma tentativa, fracassada, de poesia: queria, por em forma versada, um sonho recorrente - que pela arte exegética pagã da psicanalise, tornou-se legível (não antecipo seus significados, mas digo, se amarra ao resto) - com tsunamis. (rirá o japones, imprudentemente poético, fadado a sonhar poéticas japonesas...).

 Ando fissurado pela água e suas propriedades aquosas: tateando uma besteira aqui, outra ali, pensei - espirituoso - que deveria haver algo de simbolismo projetando-se no meu inconsciente; fiz valer aquelas máximas antigas, dos tais quatro elementos, e pensei estar atravessando em sonho, um encontro com o que há de primordial na minha constituição éterea. Enfim terça, eis que - para repetir em paródia bíblica - João Cabral de Melo Neto vem dizer coisa parecida, com infinita maior elegância, do que arrisquei dizer em forma confusa: diz a um tu, que desconheço, ter a forma da água horizontal, quando em pé, e da água vertical quando deitada. Não me perdi muito tentando encontrar paralelismos entre linhas verticais e horizontais - até porque, sabem os matemáticos e as mais adiantadas crianças - não há. Mas, pensei curioso que há algum sinal divino a cantar - não pelos ares, mas pelas água - essa poética aquosa.  

Tenho tido pesadelos com tsunamis, com água correndo - rios - pantanos e formas lodosas; que são, graças a deus, o  principio da calmaria. Quando os sonhos se acalmam e o ritmo - suponho - dos espamos das minhas palbebras diminui, é porque sonho, em matéria de sonho, surgir alguma densa e milenar rocha; mesmo que por debaixo de muita água.

 Vi, em sonho, um rio com a superfie prateada, lusindo bem polido, o sol; desse jeito que é amanhecer na praia. Meu pé afundava no lodo, saindo da angústia da água e me gerava aflição. Pulei de superficie em superficie tateando cada uma com calma: depois do lodo meus pés sentiram um chão pastoso, com aspecto de leite podre; disso, passei a uma igual em desconforto, mas que, para alívio, dava para uma firme rocha; de onde tive forças, enfim, para me projetar ao plano de terra e correr aflito contra o sentido da correnteza. 

E bom, com o espirito - ou a tal da alma - atinada para as coincidências topei hoje, terrivelmente sonolento, com o doce sono! Fiz a leitura flertando os sonhos, sabidamente aguados; li e terminei rápido. Dai, me veio um sentimento  único de sentir. Algo ali reverberava em mim; e me dei conta que, como sempre reverbera - só e, realmente só - quando leio Mann. E me dei conta, em despertar místico para as coincidências, que no fundo no fundo, há um maciço cristalino; rochoso e milenar - que direi, surpreendentemente, sou eu! E Ele reverbera todo no seu timbre único. E que, sim, sendo quatro elementos a tudo organizar: tenho algo de rochoso, terroso e; deus dirá, linear! E é o jeito moralizante do romance, o jeito de dilatar o tempo com clareza devida de um texto linear, acima de tudo, que me faz gozar e gozar; expelir e jorrar lava por todos os cantos; com a certeza cientifíca que este liquido vai voltar a se solidificar.


segunda-feira, 10 de abril de 2023

pequeno poema homo e erotico.

quando

 era 

ela 

e

 eu

era

sempre distante,

foi quando descobri que entre

ela 

e

 eu 

me colocoram um 

a

desde então

é 

eleeu.

        

entre nós

só 

distancia

de uma trave,

ele-eu

quando

nos sepera

este pequeno

-

pau.


Pequenas piadas romântico-matematicas (iii) : Amor Senoidal

 Entre  Eu

    e  

                            Ela

                    e

            Ela

                     e    

                            Eu


 se desenha uma curva acompridada em infinita abstração;

sempre distantes em insolúvel

inversão.


A nós, nos aflige, da crista a depressão,

a certeza matemática,

na forma oculta da intuição,

de sermos postos no calvário pelo equacionar desta função.





A, mas alguém dirá, a

raiz da razão

i

o termo do calvário 

i

a solução:

1

desenho imaginário.

sábado, 25 de março de 2023

Lógica Masculina I: desenvolvendo ideias platônicas



implicações; decorrências Timeu, :


        § 1.  todo homem tem entre as pernas um, mais ou menos comprido em extensão, triangulo equilátero.

       § 2. certos homens de origem asiática os tem em extensão menor.