a vida carregada à enésima potência, milhão e outros mil voltz: meu pequeno mundo descargado em tempestade, Hans Castorp desceu de montanha em guerra. Nasci em Maringá, Morri na Piazza São Marcos. Pandemia. Amores. Tem gente que tem o rabo plugado na tomada: tem que gente que tem o funcionamento normal, circuitos bem ajambrados, manutenção em dia, disjuntores e resistores em bom estado; meu rabo foi plugado na tomada, acelerado em bilhões de voltz: tiraram todos os resistores e me deixaram ali à espera, na eterna promessa de me ligarem. Carregaram aos bilhões, enquanto isso fabulei mil encantos em elétrons, batalhei milhões de particulas e vibrei em sincrônia com o ritmo do mundo: quando me descargaram enfim, descobri, para minha surpresa, que era só uma lâmpada. Acendi incandecente e brilhei amarelo claro toda uma casa em único encanto; quando, então, explodi num seco ploft. Não vi uma grande tempesatade e não tive o prazer de conhecer os mares nem de buscar Helena em Troia. Meu pequeno mundo fabulou um universo dentro de sí, desvendou seus componentes e terminou em curto-circuito; bastou consultar um técnico qualquer para me por em ordem e em funcionamento: era uma questão simples, problema de contenção de energia.
Foi desde então que aprendi o dom de acender mil luzes em uma, e de queimar o circuito até o limite do boom. Foi naquela explosão, quando a energia, enfim dissipada, retornou ao mundo: e o bulbo de vidro quebrado, ficou trincado, foi que aprendi a articular novos componentes, soldar meus metaís, desenrolar os fios e maquinar engenharias : pois, agora vou fazer toda luz brilhar em holofotes, vou projetar nas paredes do mundo meu jogo de luz.