Deus fez tudo desimportante,
quando disse ao lobo-guará que seria só como mais um golden retriver, que mordiscasse nossos braços e grunisse amor por um cuidador qualquer;
Deus me abençoou com a liberdade,
quando me fez desejar que a vida não fosse empurrada por uma linha a que chamam de história, e que o mundo ruísse e revelasse como que no nada se boia e nada, como numa piscina.
Deus nos deu amor,
quando me mostrou que os olhos dela só pedem meus braços, que escondida debaixo da coberta não existe nada além de seu corpo quente e suado; e que nossas bocas só precisavam dizer beijos - e nada mais.
Deus é o verbo,
quando me pediu silêncio, e disse que deixasse ele dar nome às coisas e que não fosse eu - e qualquer outro - acreditar no atrevimento de dizer o nome das coisas.
Por que Deus me disse e mostrou,
que o lobo-guará só é mais um golden-retriever e que meu amor não quer palavras bonitas.