O círculo é uma reta sem ambição

terça-feira, 26 de julho de 2022

Diebenkorn

 Gosto de Diebenkorn porque ele faz de toda luz, cor e de toda cor, luz. E do mesmo modo, faz de toda sombra, cor, e toda cor, sombra. E faz isso com uma geometria que jamais se encerra em poligonos, retangulos e seus quadrados: toda forma, por mais angular e ortogonal que seja, sempre se quebra em um vertice inesperado e da luz a uma forma intricada. 

A boa pintura tem seus enigmas... 

Sei que o Paulo Pasta viu muito Diebenkorn.  Dai, crítico a versão brasileira para enaltecer a genealidade yankee (perdoem-me Policarpinhos): a geometria de Pasta é dura, a de Diebenkorn é dinamica; a geometria de Pasta é fato consumado, a de Diebenkorn em consumação.











sexta-feira, 22 de julho de 2022

Ana Prata

Da Ana Prata só tenho incomodos:



bonita a pintura, de fato. São cores bonitas aqui e ali, brincando ingenuas, despidas pro olhar. Coisa gostosa e alegre de se ver, coisa rica de brilho e interesse: são divertidas, são alegres. São pinturas que harmonizam bem com um sofá estapando e almofadas de veludo; com um vestidinho desses de marca comprado em brechó. Me encanto por Ana Prata como me encanto pelo estofado lindérrimo da casa da amiga da namorada do meu amigo; ou pelas lindas cores da calça daquele mulher que vi andando na rua outro dia. 
Não sei se sou ingenuo de acreditar que há algo mais para acreditar, mas me frusta a beleza que, ora, decoraria bem a sala de estar da casa de alguma senhora de óculos vermelho e personalidade constrangedoramente jovem. 



De Ana Prata da pra dizer, então, faz bonitos estofados. Se quer mais ou diz querer mais, acho que não: acho feliz que tenha gente que se contente com isto. Mas não acho que preste pra coisa alguma que não prencher as paredes de uma galeria: se ando lá muito metido a espiritual e quero dar às coisas densidade de um maniaco; ou se espero, por um misto de culpa e de compromisso social, que se proponha ao mundo algo mais que bonitas estamparias, ai são outros quinhentos. Agora, não me venham os criticos quererem postularem seus postulados em cima de materia inerte: divertido, nada mais. E digo que realmente me divirto.





quinta-feira, 21 de julho de 2022

Tatiana Blass

 exp. Tatiana Blass


divertido colocar temperatura na pinturas, mas também nada mais. Fica um pouco circense se a quentura do quadro não tem sentido outro que provocar supresa a uma gente aqui e a outra ali. Não sou desses chatos que acha que tudo tem que ter coisa maior, mas nem em se tratado de minoridades acho lá grande coisa. Mesmo as pinturas em si, tiradas de jogo meio performático e material, acho um tanto sem graça. Fico pensando como que bem articulada imagem e quentura, jogo performático, gestual e material, como poderia ser muito mais rico. 

As pinturas que derretem, por exemplo, divertidas, mas exploram pouco as possibilidades que ela mesma abre.  Ok, a pintura torna da noite ao dia: mas ora, da pra explorar mais coisa por ai, não? Mas bem, eu gosto. E deve ser lá uma materialidade dificil de controlar e calcular.

Mas bom, pelo que conheco da Tatiana Blass - tange o zero - sei que a praia dela é outra: é instalação, é a tridimensionalidade etc. Dai que a ideia, maravilhosa, decai para forma um tanto sem graça enquanto pintura. É como que a pintura fosse só suporte do gesto: imagino como seria a força do gesto comunhada com a força da imagem

igrejas que derretem em seus afrescos farsescos: que fazem do céu surgir cenas apocalpiticas. Que derretam anjos para dar formas a figuras monstruosas: Rostos que se deformem com o tempo, espaços que se decomponham. São possíbilidades infinitas, duma pintura inesgotável, duma pintura temporal... Mas há de ter a força da imagem, o trato da pintura. Só o gesto não basta: e como dizem, de boas intenções o inferno ta cheio.

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Aquelas no vidro então, parece coisa de macaquinho universitário, brincado de romper com os suportes tradicionais...

e

Nas suas pinturas não tem lá muita coisa acontecendo: é tudo meio moroso e sem cadencia - surgem aqui e ali formas mais cromáticas como que para tentar seduzir o olhar: mas elas se articulam mal, se compõe mal e não tensionam o olhar à curiosidade. Se a proposta é compor, como parece, falta tensão, falta enigma e intriga. Se não for por ai, falta materialidade, falta dificuldade. Não sei, não gosto: parecem formas dadas e feitas e tratadas como que impressas por alguma impressora.

domingo, 17 de julho de 2022

 cheguei aos 21 e ainda sou incapaz de me levar à sério.