O círculo é uma reta sem ambição

sábado, 12 de dezembro de 2020

Fantasia

 Que Deus me comprima nessas compressoras hidráulicas, e que algum maluco espinhudo vetorize meu corpo e me reparta em quadrados. Vou virar um boneco, um punhado de pixels com jeito de gente. Pra sujeito de 16bit não tem delírio, nem confusão. 

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

NOVISSIMO CONTEUDO CLIQUE: COMPUTADORIZADOS

 Atenção, NOVÍSSIMO CONTEUDO em COMPUTADORIZADOS. 

CORES, CORES, CORES! Adeus às Linhas, Adeus ao papel!

VIVA SANSUNG NOTE 9 (E sua caneta TOUCH)!

VIVA O VIRTUAL !

VIVA!





quarta-feira, 19 de agosto de 2020

dito-cujo linguarudo

O olho que olha o mundo às vezes se deixa levar pelas maledicências das línguas atrevidas e arrogantes, e sai traçando aqui e ali, riscando o lustroso mundo, essas malditas linhas. É obra do dito-cujo linguarudo, isso de ver o mundo cortado por qualquer coisa como um limite e um fim. O olho que olha com os olhos, não com a língua, vê as formas dançantes e indomáveis, meio confusas num todo uno. O mundo é um só. Mas, algum primata rudimentar decidiu grunhir, e fez da pedra, a pedra; do céu, o céu; do fogo, o fogo. Viu-se surgir então, do além ou de algum outro lugar mais abaixo, essas insaciáveis, ubíquas e taxativas linhas. Delimitaram-se fronteiras e muros; cercaram-se e enclausuraram as cores, romperam os laços dançantes das suas afinidades ; condensaram umas, cindiram outras: fizeram da profusão e da riqueza dos tons de verde, uma folha; fizeram o azul do mar estranho ao azul do céu. Desde então o olho domesticado se entrega às cômodas linhas e vive resignado à tirania das totalizações da totalitária língua. As linhas não pertencem aos olhos, são execráveis, são arbitrariedades, são ilusórias. O real é uma única mancha, o sentimento único de uma visão, uma combinação em polvorosa, arisca e bárbara.  O olho virgem enxerga um decalque, é a impressão crua do mundo. Daí a misticidade, é a incredulidade e o deslumbramento face a formas tão indômitas, tão únicas e simultâneas. A língua e a linhas turvam e riscam esse lustroso mundo, separam, dividem e nomeiam com a única pretensão da anunciar uma falsa unidade. De se dizer soberanas, senhoras, de se passarem pelo próprio real, e assim fazem do mundo passivo e submisso. Os olhos colonizados pela linha são olhos resignados, acomodados, vencidos. A língua e a linha são um só, ou senão que são essas minhocas que tanto dizem e significam? Essas que os olhos, tão desgastados pela espoliação colonial, lêem e já não veem. Cômodo fetichismo, mágica ilusão, essa de transformar imagem em texto: do ato de ver, no de ler. A língua é senhora, a linha seu capataz. Assim se domestica, assim se descanta o mundo

Mas aquele que submete, se degenera tanto quanto o submetido: A linha em sua pureza, virgem e imaculada – antes de sangrar o mundo, a linha dentre outras linhas, a linha no paraíso das linhas; antes de cercar e delimitar, a linha etérea, solitária, e satisfeita sendo somente linha -- essa linha encanta. … Encanta porque não encerra, não enquadra, não cerceia, não delimita; porque singela, porque não pretende, porque não se contenta, e se curva ao mundo. Para essa linha etérea e encantada, os olhos não se enrigessem e se constrangem, mas dançam... Dançam a dança das minhocas dançantes. Elas são caminhos, são percursos, são veredas. São o movimento. Porque toda linha tem um sentido, toda linha tem uma ambição e toda ambição é um devir. E o círculo é uma reta sem ambição. Viva aquele Milton que virou Millôr. Miguel pros infernos, Millôr é genio sim. Diniz e Leco na Sargeta. Robert Crumb Mediocre. 

 


quinta-feira, 23 de julho de 2020

saudasdes do minhocccccccccoooooooooooooooooooon

virei um sujeito urbano. constatação obrigatória quando se percebe que  o ideal estético romantico de liberdade ta encarnado naquele absurdo urbano do minhocão. Correr com o eestomago até a lata de cerveja barata na noite aquilo inteiro, disfarçado daqueles doido de pedra que andam pra la e pra cá. Vendo passa os yokshire, goldenretriver, viralata tudo e os estranho de perdizes com seus ipod,ipad e tenis esportivo. Bem assim, afonso henriques de bar em bar, ou aquele Joaozinho da babilonia pra lá e pra cá cuidando de sentir coisas que não devia: sujeitos cariocas, mas gente da rua. Corre até a calça cai de tá sem cinto, e como de medo das luzes que parecem farol de carro . Fica pra la e pra ca. Pra vê se descubro a hora  estranha que perdizes vira santa cecilia e santa cecilia vira perdizes. Um é quando tem aquele prédio feio que parece que tiraram da orla de miami, outro é naquele lugar que diz que morreu varios nem gosto de pensar, mas que é castelo e não prédio. 
depois toma um suquinho de lichia na casa do deco, bem assim, urbano. meio patético mais segue avida