The birds of Jardim are the migrant birds of kubin.
Os passáros pousaram aqui
Hoje não sou mais nada além do que toca o teclado e do que escuta atravessar os carros doutro lado da parede da minha casa. Não sou nada, além da matéria de que é feita minhas mãos, de que é feito meu corpo. E me pergunto como é possível existir tanto mundo: como a mesa que minha mão toca pode ser tão firme, compacta e sólida se houve um dia que sentado nesta mesma cadeira, apoiado sobre a mesma mesa, não existia nada além de uma consciência palpitante. Como posso existir, se há dia que sou o frio e o duro do vidro da mesa e há dia que sou a imagem que se codifica no verbo e faz surgir não sei aonde a linha dos meus pensamentos que desesperadamente percorro. Como posso existir se um dia vou morrer e se de um momento a outro revelarei ao mundo que era só mais um corpo, mais um morto. que estive farseando, que sempre fui morto, como qualquer um enterrado por ai... e que todos mentem viver, e que um dia tornarão a estar mortos como sempre estiveram.
E não percebeu que escovando os dentes, aos poucos
cresciam por dentre seus lábios um expessa espuma que espelia
enquanto gritava assustado com sua criação:
- em minha boca cadeias infinitas de moleculas se formam aos montes, e num único gesto, - seria em um instante, a origem de outros instantes - quem poderia evitar? uma única molecula afrontaria a natureza, e dali se inauguraria a vida.
Cresce em mim a vida, cresce um mundo. em afrontosa criação:
quem diria a criatura transformada em criadora.
E minha boca seria deste instante em diante sua terrível parteria: suas mucuosas a repelir espumante, a vida. E como um velho cachorro enraivecido, partaria em espasmos.
- mas que sorte é a minha, num gole de água: choro um genocídio.
Adeus criação maldita, adeus: chora todo um mundo por que esta boca não espuma enraivecida
Reli um texto antigo que tinha aqui no Blog, dizia que a música tocava direto à alma e isto me dava certo asco. Me incomodava o jeito invasivo como que ela se impunha sobre a gente.
E fui num show com isto e uma certa dose de fantasia etílica na cabeça, show desses ruins em que se amontoam amigos e amigas da banda de um sei não quem que tem lá sua fama entre seus amigos e amigas. E fui nisto, meio cambaleante na minha embriagadez, ouvir tocar seilá quem. E Deus; eu, como sempre à distância, como sempre alheio, vi gente dançar, vi gente meio que sambar um ritmo esquisito. E não sei se foi o punhado de alcool, mas me vi eu o sujeito quadrado, envolvido e laçeado. Não sei, ando um pouco perdido.
-nao sei de quando-
Gosto de Diebenkorn porque ele faz de toda luz, cor e de toda cor, luz. E do mesmo modo, faz de toda sombra, cor, e toda cor, sombra. E faz isso com uma geometria que jamais se encerra em poligonos, retangulos e seus quadrados: toda forma, por mais angular e ortogonal que seja, sempre se quebra em um vertice inesperado e da luz a uma forma intricada.
A boa pintura tem seus enigmas...
Sei que o Paulo Pasta viu muito Diebenkorn. Dai, crítico a versão brasileira para enaltecer a genealidade yankee (perdoem-me Policarpinhos): a geometria de Pasta é dura, a de Diebenkorn é dinamica; a geometria de Pasta é fato consumado, a de Diebenkorn em consumação.
exp. Tatiana Blass
divertido colocar temperatura na pinturas, mas também nada mais. Fica um pouco circense se a quentura do quadro não tem sentido outro que provocar supresa a uma gente aqui e a outra ali. Não sou desses chatos que acha que tudo tem que ter coisa maior, mas nem em se tratado de minoridades acho lá grande coisa. Mesmo as pinturas em si, tiradas de jogo meio performático e material, acho um tanto sem graça. Fico pensando como que bem articulada imagem e quentura, jogo performático, gestual e material, como poderia ser muito mais rico.
As pinturas que derretem, por exemplo, divertidas, mas exploram pouco as possibilidades que ela mesma abre. Ok, a pintura torna da noite ao dia: mas ora, da pra explorar mais coisa por ai, não? Mas bem, eu gosto. E deve ser lá uma materialidade dificil de controlar e calcular.
Mas bom, pelo que conheco da Tatiana Blass - tange o zero - sei que a praia dela é outra: é instalação, é a tridimensionalidade etc. Dai que a ideia, maravilhosa, decai para forma um tanto sem graça enquanto pintura. É como que a pintura fosse só suporte do gesto: imagino como seria a força do gesto comunhada com a força da imagem
igrejas que derretem em seus afrescos farsescos: que fazem do céu surgir cenas apocalpiticas. Que derretam anjos para dar formas a figuras monstruosas: Rostos que se deformem com o tempo, espaços que se decomponham. São possíbilidades infinitas, duma pintura inesgotável, duma pintura temporal... Mas há de ter a força da imagem, o trato da pintura. Só o gesto não basta: e como dizem, de boas intenções o inferno ta cheio.
e
Aquelas no vidro então, parece coisa de macaquinho universitário, brincado de romper com os suportes tradicionais...
e
Nas suas pinturas não tem lá muita coisa acontecendo: é tudo meio moroso e sem cadencia - surgem aqui e ali formas mais cromáticas como que para tentar seduzir o olhar: mas elas se articulam mal, se compõe mal e não tensionam o olhar à curiosidade. Se a proposta é compor, como parece, falta tensão, falta enigma e intriga. Se não for por ai, falta materialidade, falta dificuldade. Não sei, não gosto: parecem formas dadas e feitas e tratadas como que impressas por alguma impressora.
Tinha escrito sobre esse daqui, apaguei e o arquivo sumiu.
Mas tinha ficado intrigado. Tem tantos olhares possíveis; e uma tensão tão grande entre todas essas possibilidades. Vejo uma criança que corre no pátio de uma unidade habitacional, Vejo triangulos, retangulos e seus quadrados; Vejo uma montanha misteriosa. Parece tudo um sonho de infância: crianças-sapos, melancolias infantis, crianças brincando, crianças olhando... uma só grande montanha.
se achar o texto, meto ele aqui denovo.
pinturas do Churchil
desenhos do BUkharin