O círculo é uma reta sem ambição

domingo, 30 de abril de 2023

a grande onda

 


os budistas já sabiam (digo em homenagem à miguilim e aos Maias): o apocalipse é agora e toda hora. Mas bem, pensei: quem sabe não somos, justamente, o desfazer de uma ordem pregressa... A tal da redenção não se maquina agora e nós eternamente revelados somos só, e tão somente, uma grande revelação? Não se trata de negar teleologias: quem disse que nascemos por fazer, e não em processo de total desfaçamento? Não se trata de pleitear a tal da perfeição, mas reconhecer outro ponto, não do progresso, mas do eterno regresso. E se o retorno de Cristo deu-se entre os próprios Romanos: esqueceram de nos avisar e esperamos no ponto o onibus que só vai, voltar.

onde então estão as ondas, fadadas a nos levar? Quem disse que não somos o outro lado da arrebentação, ou a arrebatenção ela mesma; quem disse que não vemos as ondas, não porque inexistem, mas porque é delas que sondamos a superfície. Como algo, sinceramente, pode nascer e morrer? é o apocalipse, para ver e crer! São as ondas que surfamos e mergulhamos, é a eternidade na decorrência do seus planos. Não se trata, de negar o fim, nem o começo: mas de dilatar até o principio o principio do fim. Quem sabe um dia não olhemos pra trás, e vejemos a praia a se desenhar junto ao farol e ao cais. 



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