O círculo é uma reta sem ambição

domingo, 30 de abril de 2023

pequenas graças

 pequenas graças:


o gracioso, o engraçado e o carismáticos: todos os três - acusa a internet - do grego charis, que no mundo Romano descreve a prática do patrono de dar ao cliente um favor irretribuível; sem obrigação - em caso da qual, em regime de total submissão, dizemos obrigado. Derivam-se os três, um no belo, um no cômico e um no amigável; mas, nos afeiçoamos por de trás - acenam satisfeitos os marxistas -  a um antigo e milinear patrono em sua engraçada graciosidade carismática a nos agraciar com, de seu imenso latifúndio, um pouco de  caridade. A ele, só nos resta dizer, somos agradecidos!









disso sei, que deus existe em sua graça; mas que ela não é de graça. É um estado matérico gracioso, uma situação material engraçada; uma condição única de graça. Agradeça, para não dizer, obrigado.

a grande onda

 


os budistas já sabiam (digo em homenagem à miguilim e aos Maias): o apocalipse é agora e toda hora. Mas bem, pensei: quem sabe não somos, justamente, o desfazer de uma ordem pregressa... A tal da redenção não se maquina agora e nós eternamente revelados somos só, e tão somente, uma grande revelação? Não se trata de negar teleologias: quem disse que nascemos por fazer, e não em processo de total desfaçamento? Não se trata de pleitear a tal da perfeição, mas reconhecer outro ponto, não do progresso, mas do eterno regresso. E se o retorno de Cristo deu-se entre os próprios Romanos: esqueceram de nos avisar e esperamos no ponto o onibus que só vai, voltar.

onde então estão as ondas, fadadas a nos levar? Quem disse que não somos o outro lado da arrebentação, ou a arrebatenção ela mesma; quem disse que não vemos as ondas, não porque inexistem, mas porque é delas que sondamos a superfície. Como algo, sinceramente, pode nascer e morrer? é o apocalipse, para ver e crer! São as ondas que surfamos e mergulhamos, é a eternidade na decorrência do seus planos. Não se trata, de negar o fim, nem o começo: mas de dilatar até o principio o principio do fim. Quem sabe um dia não olhemos pra trás, e vejemos a praia a se desenhar junto ao farol e ao cais. 



conversa i

 


miguel e eu assumimos que nem o maior dos ermitões aprende e gosta de conhecer pelo simples gostar de conhecer.  Quando disse a primeira vez: - sou apaixonado por História, não sabia as paixões ocultas que mediavam meu desejo, e nem parei e nem pensei que não se apaixona por história, porque não se estuda às mordidas, nem se lê com a boca e nem com o tato; e que o que os livros nos dão a ler, as mãos não decifram linhas. Quem já morreu de tesão sabe: a gente tenta encontrar jeito de comer as palavras; de sentir a carne da voz e encontrar como que aquele ponto misterioso em que  os polos magnéticos se repelem: sentir aquela tensão matérica surgida do nada, nas palavras. 

E bem, a gente ama e se apaixona pela carne em que se encarna a História, as palavras e o que tem para conhecer. Um dia, noutra boca, a gente descobre que nada é nada. E que se dorme em aula quando nos contam um teorema sem vibrar os olhos, ou nos leem um poema sem insuflar o peito. E a gente, desiludido,  se repara como quem vive a perseguir o nada. 


Por isso que gosto dos que me fazem vibrar; e digo, gosto de conhecer para apreender a melhor vibrar. Gosto da palavra extendida ao infinito da sua graça, porque é graciosa e engraçada. E se me ensinam o alfabeto  grego, o cirilíco, e mils kanji é sim, sim senhor, por que me mastubar em 26 letras é pouco e escasso: quero cruzar as palavras de todos os cantos. É para chorar um amor em versos líricos e mais tarde em irônia besta; para saber o sólido geométrico que melhor se encaixa na minha tristeza; para saber as etimologias, pra rir dos pedros, coitados, que são pedra; 

Por que ficar como beatificado; como Estilita; ficar sentado no gabinete, contando orgulhoso a autoridade moral intelectual, a certeza objetiva dos fatos. 

quem ainda quer ler o mundo? como se tivesse coisa pra ler. Nem faz 11 anos leram, um entre outros mil: o mundo acabaria. Coisa pior, sem mitologias:  não percebem recalcada mesmo na certeza objetiva dos fatos a suposição de uma redenção mal assumida . Se empanturram de números, se esquadrinham em gráficos e eixos e mesmo assim  não enxergam a imensa cruz. Sonham: Sair da caverna com um gesto heróico, ver dobrar o espaço rendido em apokálypsis, ver o revelar da farsa: a caverna dismanchar-se em planos não cartesianos, o tempo, desembaraçar-se. Mas bem, Não há redenção: O demiurgo não pensou nos fogos e não há plano por se manifestar, quando sair da caverna, anda-se em circulos. Não tocam sinos, não descem quatro cavaleiros, nem surge, dos céus,a tal da puta da babilônia. 

Para que então, reter-se, mortificar-se à espera de... 

por que cultivar a redenção oculta no estudo dos algoritimos, nas funções numéricas. alguém avise, A máquina do mundo não vai se abrir, o gabinete não será invadido por cachorros falantes; e não, não haverá pacto que resolva. Já se leu tudo e se fez, sem piada, uma bíblia, nem por isso a redenção chegou. Querem continuar a resmungar objetividade, como quem resmunga a certeza da volta de Cristo? vão desenrolar ao infinito o perímetro da circunfêrencia: vão andar em circulos rigorosamente. 

Ora, na ausência de explosões, sem dragões, pelo menos que nos divertêmos com o entrar e o sair da caverna. Deixem que se projetem todo um teatro nas sombras; não amolem, não encham o saco. Usem, pelo amor de deus, o saber oculto do mundo de lá para projetar deliciosas fodas, que se foda que sejam sombras. Façam como as criança e projetem  tosquíssimos animais feitos com o contorcionismo das mãos.

 Fiquem ai os disciplinados leitores, os ascéticos cientistas, circulando suas esferas, andando seus circulos à espera do seu cristo numérico. Vão perder o show das luzes e das sombras.


sábado, 29 de abril de 2023

principios

Deus nos deu a graça; 

tudo, então, deve tensionar ao infinitamente gracioso e ao infinitamente engraçado. 

domingo, 23 de abril de 2023

 são paulo e eu faziamos sexo anal

enquanto discutiamos a disposição animica

do homem para o mal:

    

    os mendigos perdidos caminhavam lentamente

    enquanto lançavam olhares vingativos

    e nos assassinavam em suas mentes:

    conjurando dragões e suspirando lanches.

    E os bares repletos de velhas barrigas

    contavam piadas cretinas enquanto

    chupavam-se mulheres com olhos;

    mulheres de salto, olhavm de cima, e

     despiam arrogantes mandamentos àquele garçom


       E eu, rendido, olhava cansado sem me levantar,

    mais um dia, um carro batido, um casal ferido

        sem que me levante, nem esboçe qualquer reação.

quarta-feira, 19 de abril de 2023


voltei hoje lendo um pequeno ensaio do Mann sobre o Sono - doce sono! - com a vista cansada e exausto. Achei irônico, primeiro, o encontro tão coincidente; ultimamente ando aceitando alguns sinais divínos: Tenho ouvido muito misticismo da boca do Leo. Sempre sobra às coitadas das marionetes  o fardo de suportar longas exposições sobre as formas alquímicas de desvelar o real, dessas coisas, um tanto demode, que os velhos dramaturgos ( e digo velho, porque dramaturgo, por sí só, já é espécie em extinção) encontram como forma de singularização. 

Bom, dia desses vi um adolescente japones improvisando ao som das Amazonas do Donato, me vi ali: como que preso olhando aquela figura estranhamente rigida tentando transmitir algum swing com sua disciplina nipônica e um trambolho enfiado na boca - era um saxofone ou um trompete. 

Pouco antes, reencontrei um texto besta sobre a linha, minha paixão pela linha e toda aquele interminável lerolero: deitado na cama, terminei a leitura e vi cair pela janela - e juro por Deus - brilhar de um jeito muito único, um fio perdido de uma teia de aranha. Pensei na hora algumas coisas sobre a tal da alma e o tal do Deus, que, naquele momento, pareciam no meu gozo discursivo, coisa irmanada, ou algo assim. Sei que essa única linha resolveu um angústia que carreguei por alguns meses; e juro, não é papo de missionário e nem de falsa poesia. 

Terça, ai sim, foi em forma mesmo de poesia, o enviado, divino arcanjo: joão cabral de melo neto, nada espirituoso ou de beatificante, mas por hora, Deus faz isso bem, cumpriu o dever de mensageiro divino.  Pela manhã, me mortificava - como um bom nipô-romântico - pela constrangedora inciativa de expôr  uma tentativa, fracassada, de poesia: queria, por em forma versada, um sonho recorrente - que pela arte exegética pagã da psicanalise, tornou-se legível (não antecipo seus significados, mas digo, se amarra ao resto) - com tsunamis. (rirá o japones, imprudentemente poético, fadado a sonhar poéticas japonesas...).

 Ando fissurado pela água e suas propriedades aquosas: tateando uma besteira aqui, outra ali, pensei - espirituoso - que deveria haver algo de simbolismo projetando-se no meu inconsciente; fiz valer aquelas máximas antigas, dos tais quatro elementos, e pensei estar atravessando em sonho, um encontro com o que há de primordial na minha constituição éterea. Enfim terça, eis que - para repetir em paródia bíblica - João Cabral de Melo Neto vem dizer coisa parecida, com infinita maior elegância, do que arrisquei dizer em forma confusa: diz a um tu, que desconheço, ter a forma da água horizontal, quando em pé, e da água vertical quando deitada. Não me perdi muito tentando encontrar paralelismos entre linhas verticais e horizontais - até porque, sabem os matemáticos e as mais adiantadas crianças - não há. Mas, pensei curioso que há algum sinal divino a cantar - não pelos ares, mas pelas água - essa poética aquosa.  

Tenho tido pesadelos com tsunamis, com água correndo - rios - pantanos e formas lodosas; que são, graças a deus, o  principio da calmaria. Quando os sonhos se acalmam e o ritmo - suponho - dos espamos das minhas palbebras diminui, é porque sonho, em matéria de sonho, surgir alguma densa e milenar rocha; mesmo que por debaixo de muita água.

 Vi, em sonho, um rio com a superfie prateada, lusindo bem polido, o sol; desse jeito que é amanhecer na praia. Meu pé afundava no lodo, saindo da angústia da água e me gerava aflição. Pulei de superficie em superficie tateando cada uma com calma: depois do lodo meus pés sentiram um chão pastoso, com aspecto de leite podre; disso, passei a uma igual em desconforto, mas que, para alívio, dava para uma firme rocha; de onde tive forças, enfim, para me projetar ao plano de terra e correr aflito contra o sentido da correnteza. 

E bom, com o espirito - ou a tal da alma - atinada para as coincidências topei hoje, terrivelmente sonolento, com o doce sono! Fiz a leitura flertando os sonhos, sabidamente aguados; li e terminei rápido. Dai, me veio um sentimento  único de sentir. Algo ali reverberava em mim; e me dei conta que, como sempre reverbera - só e, realmente só - quando leio Mann. E me dei conta, em despertar místico para as coincidências, que no fundo no fundo, há um maciço cristalino; rochoso e milenar - que direi, surpreendentemente, sou eu! E Ele reverbera todo no seu timbre único. E que, sim, sendo quatro elementos a tudo organizar: tenho algo de rochoso, terroso e; deus dirá, linear! E é o jeito moralizante do romance, o jeito de dilatar o tempo com clareza devida de um texto linear, acima de tudo, que me faz gozar e gozar; expelir e jorrar lava por todos os cantos; com a certeza cientifíca que este liquido vai voltar a se solidificar.


segunda-feira, 10 de abril de 2023

pequeno poema homo e erotico.

quando

 era 

ela 

e

 eu

era

sempre distante,

foi quando descobri que entre

ela 

e

 eu 

me colocoram um 

a

desde então

é 

eleeu.

        

entre nós

só 

distancia

de uma trave,

ele-eu

quando

nos sepera

este pequeno

-

pau.


Pequenas piadas romântico-matematicas (iii) : Amor Senoidal

 Entre  Eu

    e  

                            Ela

                    e

            Ela

                     e    

                            Eu


 se desenha uma curva acompridada em infinita abstração;

sempre distantes em insolúvel

inversão.


A nós, nos aflige, da crista a depressão,

a certeza matemática,

na forma oculta da intuição,

de sermos postos no calvário pelo equacionar desta função.





A, mas alguém dirá, a

raiz da razão

i

o termo do calvário 

i

a solução:

1

desenho imaginário.