O círculo é uma reta sem ambição

segunda-feira, 4 de maio de 2026



te prometeram um mundo e fizeram parábolas bíblicas que justificassem o andar dos seus passos, contaram segredos e te confidenssiaram olhares, de todos tipos: desejosos, invejosos, apaixonados, olhares de desaprovação e de exame; te deram uma vida, em palavras e em promessas. Te contaram histórias, mas do passado herdou a consciência de um fim, encerrado, terminado e que, ainda assim, se seguiu continua e eternamente. E te deixaram ver que os que nascem hoje já nascem à sombra de morte e que mesmo assim, andam felizes e alegres, porque já nasceram mortos e posto que, assim, não tem tempo e nem chegam a conhecer que a forma de que nasceram era a forma de uma coisa morta. Como o são os fungos e os insetos que se achegam à carne podre, vivem enquanto sua carne apodrece.

E de todo resto o que sobra, carniça fede e o fedor mal toca seus poros, que se tapam, que se cobrem; e deslizam todos os outros na lisura da pele, mal seus dentes tocam e afundam no resto epidermico onde o fedor fede. Seus olhos nos vêem, palavra por palavra e as escolhem como peles a que aderem, sem que vejam seus poros. Falam seguros, sempre seguros, palavra por palavra, com pele lisa e brilhante. Contam o tempo das coisas, olham sem que os olhos se afundam; caminham sem que tropessem e continuam a acreditar. Como quer que sigamos, se as palavras que dizem não derrapam no próprio sebo e se limpam, obsessivamente, enquanto cubrem a matéria orgânica de que é feita.

como seguem de pé, sem que despequem, como se levantam sem que sintam o próprio corpo desgrudando-se do chão, como fodem sem que se curvem para dentro ao primeiro lapso que anuncie que seu gozo põe ao mundo a gosma de que tanto, tanto, fazem para livrar-se; e se adensam em sí, a materia espessa do mundo, e se tomam para sí todo o visco, não o põe a fora o resto viscoso de que são feitos. Cada corpo seria como a forma espessa e pegajosa do mundo: um pimentão e um tomate, vicejam muito cedo, e ao toque do seu dedo anunciam o churume de que são feitos. Sua pele derreteu-se na pele do mundo, cobriu-se de poeira e viço e abriu-se em poros. 



domingo, 3 de maio de 2026

 



Há duas formas das coisas se completarem: reificadas, ou devidamente alinhadas nos jogos dos espelhos. A natureza de toda instituição é sua demanda de encerramento, completude e limites; suponho, porque articulam uma quantidade muito grande de trabalho, vontade e desejo, e tem de ser restritivas. Disto, se enseja o paradoxo de que, certamente, não se escapa: adentrar a esfera das instituições é implicar-se em uma esfera de circulação que supõe regras claras e um jogo de igualdades/paridades que supõe, também, completude e limite. Não há certamente resolução à cisões de que se dizem arte/vida, público/privado etc. Claro, se confundem, claro se torcem, mas não deixam, mesmo em graus altos de promiscuidade, de constituirem instânicas distintas. Toda vida que quer se tornar arte lida e se implica com uma tradição mais ou menos extensa e que é, nada mais, que a forma reificada de um conjunto de tentativas. Tradição e instituição são duas instâncias semelhantes, mas bem distintas: a instituição sustenta-se em uma tradição, mas pode temporáriamente se alhear, fingir se alhear; a tradição se insiste e se permanece eternamente como si mesma, incorporando a cada passo, mais partes a extensão volumosa de seu corpo. Mesmo a modernidade, ou todo tipo de negatividade, é imperada por uma imperativo da tradição e, se alheada dela, é pela ausência de consciência. Francamente, advogar pelo principio do novo, da novidade, da ruptura é, simplesmente, advogar pelo imperativo de uma tradição em detrimento de outra tradição. A tradição precisa de uma única consciência que seja histórica. O que me dizem é que seria mais franco abrir-se e permitir - o que acho que acontece hoje mesmo e poucos percebem - reconhecer que clarificado que repusemos, simplesmente, uma tradição a outra, uma instituição a outra, nossa distância com o Antigo é da mesma nulidade do que a distância ao próprio presente. Aqui, semprem constroem e formulam modelos, sem ter em vistas que o antigo, aqui principalmente, inventou-se a pouco tempo: nossa Catedral gótica é hoje vista, do alto do viaduto, junto ao imenso monolito do Templo de Salomão. Quantos dos daqui não vivem mais proximos de David, da Mesopotâmia, de Ur, do que de qualquer do nosso passado recente e moderno, do que de, digamos, Duchamp, Guimarães, etc. Que ruptura esta posta senão a de que substitui uma tradição pela outra tradição, e porque somos nós que vivemos fora os dogmas, o imperativo e a sombra da tradição? É simples de reconhecer, uma tradição pode se comprimir em poucos segundos e dele extrair uma infinide de milisegundos. Porque respeitar suas hierarquias? Porque seguir sua tradição? Porque acreditar em suas insistituições? Toda verdade tradição se inaugura de uma consciência presente que entende que tradição é, simplesmente, poder. E que como átomos, não muito de componentes, simplemente de forças operando a todo instânte nos atraindo e repelindo. 

sábado, 2 de maio de 2026

E se agora te digo que crio para cada palavra um sentido que a ela não se dá e te peço que me diga o que pensa do que te falo; e que peço que entenda que não se preocupe com o que te digo e que, de agora em diante, um lapso por sí só pode pertubar a ordem de todo conjunto; algo como assim, te digo que para esta palavra que vem a seguir ela mesma pertuba a ordem de todo o resto, sendo esta a palavra: palavra; ainda, se te digo que a ordem com que se remete para o passado desta palavra não interessa, nem mesmo a ordem com que te digo, penso, dizer algo sobre o que digo; peço que me diga, agora, o que me diz sobre a palavra que digo e a palavra que diz? 


Naves-Nuno duo, Moebius and Difficult Form, Both heir of strange Greenberg and strange Schwartz, but Nuno dealing with kind of more Formeless vibe.

Sorry, i think both of you are wrong. BTW, Now, starting this to be my own Raisonnée dont need any institution, just, thanks to GOOGLE blog and some financiatial Support from RAKUTEN, big japanes company, we have settled this hole operation and things are going well.

Shadoowns Kings , and cousinns as well: nuno and Tanizaki, but from differents traditions. Those who talk about ASIAN diaspora know about Mishima and all MANCHURIA generals, like those that where my own parents, or they think they all japenese man are old senseis that drink tea and take care of their gardens? They have watched some IMAMURA movies. I m the first one to say, please, do not have CHILDREN DONT TRASMIT THE LEGACCY OF OUR MISERY, quotation of Machado. It Obvious like, keep having some Pontual in my name. Just really brazilian DIAREIA going on. Life is just explode your self, im just mabe of a lot of soy: how its my poo: i could do plop plop plop, and huge really mess like really diarria vibes, or could big as a big bomb (IM PARTICULARY INTERESTED IN THAT KIND OF SHIT) . Like you guy really belive in your SALVATION?  just stop playing this fake democracy game, love is the routh (Raíz)* of all evil: BLAKE: Pity would be no more// If we did not make// somebody poor;// And Mercy no more could be// If all were as happy as we.// And mutual fear brings peace,// Till the selfish loves// increase;//Then Cruelty knits a snare,// And spreads his baits with care.// He sits down with holy fears,// And waters the ground with tears;// Then Humility takes its root// Underneath his foot.//Soon spreads the dismal shade // Of Mystery over his head; // And the caterpillar and fly // Feed on the Mystery.//And it bears the fruit of Deceit,// Ruddy and sweet to eat; // And the raven his nest has made // In its thickest shade. // The Gods of the earth and sea // Sought thro’ Nature to find this tree; // But their search was all in vain:// There grows one in the Human brain.ppppp stop being naif lets go back to all that true bandeiras brancas [1] vibe, what are you trying to build (again) ok, this time can go, but sure, i dont know, i just dont have place in it because im kind hount by the past, and the best is to not have suns: built a strong nation (?) thats what you guy whant? [don't think soo, but haven't you guys thinked about that: soo what you are going to do when all problems are solved and you have , rightfull taken the power, are you still going to bealive in Estado-Nação - dont think soo, that what most differ, apart, from all the other stuffes, that way there is no nation in the most historical of your painter - maxwll - as the most figurative of the modernist would insist - portinari]  our just to stop sistematic violece, so thats right. yes, its good, imridicoulous and should not have voice. shouldn i? dont know, but arent we all the same DIAREIA no, im like the popper. . Like if things are going well, and they could got us to better places, and like if your conciounss is an historical one, full of futeres, mine can only, and keep, only living his continous decai. Thinking thats is natural, one goes up, others go down and thats how life goes, things continues eternally. i just want to decai in peace, please, not trying to do anyone any harm. just want to explode as my own shit. and the other, the one that i grown up toghter the will continue living, walking, they will continue running and cycling and there still have a lot of them walinking, withouth knowing, withoun caring the shit they are made of, that the are just a big diaria, and they will not care, because all they wnat its Sex, cycling and walking. and They will still be the cinical ones, and at least, I will the most engaged one, or the most TRUE of my kind: they still live theirs lives as they were beatniks and they still take ther road with their drivers, and they still will live as live could be made of glamour not by dust, and very sharp noises. They will still thinking they are the negative side of Burguoise, but since i ve been reading ANTONIO VIERA [2] SINCE i was 16th years old boy, very virgin and incel wanting to become a priest and find god, i got to know that histori its way longer than moderns want us to think, and way dusty than conservatives want us to think. Those Guys as DE CHIRICO solved that in a very particulary way, but They are more Boring, and a bit FASCIST. i just want to destroy my self but being very kind to others.

*traduzido do original  (N.E).

[1] Reference to another artist work that have become really famous because of his evil will of destroying nature life.

[2] that old priest tought a lot one of my oldest members of my mother family. He then let me some notes, and since then i've kind of dealing with his words. It has been said to me some parabolical phareses. And Viera tought me a lot, since the way of his p, p, p, p, p, p, p, continously and the way his writings is full of continously contradiction and usefull adorns; i've been very excited about Baroque since very young seeing RUBENS and REMBRANDT painting because i was teached copying those painteres paintings, and VELAZQUEZ - who i alwayss tought to be a more comportated one - but rubens pencil [pincelada] has a lot of movement, and REMBRANDT has such a particulary way of painting and dring with a lot of nodes. VIEIRA allways reesambled that to me, and know i days i reallise how skilfful he was, dealing with power and institutions: he really could run the whole colonial entrepise and keep being the skilffull speaker PORTUGAL always had. i HAVE a phantasie where VIERA and KOPENAWA would have sex and somehting new would be BORN. i really have this dream cause this, im sure, WOULD not be DIARRIA, WOULD be something really powerfull. REcently am lesse cristhian, looking to japanes BASHO [3], wainting run away from here. 

[3] latelly aproaches to japan: TEZUKA, MISHIMA, IMAMURA, ZEN, BASHO, TSUSHIMA, OZU.

[4] internet allows us to be very EXCESSIVE. I'AM DESAFING YOU [desafiando] to make it clear whats its all this ABOUT. 



 

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Os que vivem da substância da palavra e que insistem por efeito da crença em levar-se adiante, por acreditarem mesmo, indo em frente que a insistência desdobra sua substância e toma de seu sulco fartos e demorados goles, mas se encontram, enfim, com a matéria seca do que restou, prostrados na própria secura, são os que se deitam em solo árido e a sua volta, pórtircos anunciam adornadas e rebuscadas voltas e lhe apresentam firmes e certas toda sorte de engenhosas dialéticas, frente ao qual conseguem satisfeitos dobrar-se um a um os outros, resolutos e decididos, enquanto resta ainda mais do que a própria aspereza, a convocatória ao desencontro: do que o mundo mesmo suga sedento o suco de toda palavra de modo que não sobra nada, apenas seu corpo equivocado. 

Resta a matéria drenada das palavras: drenaram-se os amores, pelo esquecimento; drenaram-se as paixões, pela realidade. Resta firmar-se nas palavras para dizer o que resta quando secam-se as coisas. Mas secaram ainda esta palavras, deitaram-lhe sobre o sol para que charqueassem mais e mais e andou-se e andaram-se homem todos carregando por todo canto, cada pedaço único do extenso charco sem que pedissem nada além da resistência que se impusessem aos dentes. Mastigar, mastigar, mastigar; cada palavra mastigar, mastigar, mastigar insistêntemente, sem que haja vontade desejo ou fome senão um tempo extenso que não se curva nem aceita com que se dite o ritmo de seus passos, mastigar, insistêntemente, mastigar, até que estejam mastigadas por inteiro e não tendo mas destinação se não se encaminhar às suas próprias fezes.

domingo, 26 de abril de 2026

UMA CENA A SE DESENVOLVER, PERSONAGENS:

menina, discretamente tenta esconder sua inveja em palavras afáveis, acaba de conhecer e é  excessivamente cordial, parece interessada em encontrar possíveis fragilidades, ao mesmo tempo que demonstra desejo no olhar. Não sabe se toma partido de sua inveja ou se do desejo.

menina, falante, simpática, excessivamente comunicativa. Entrega-se pela boca, acredita que o agrado vêm das palavras e que o silêncio se assemelhe ao desrespeito. Parece mais insegura que segura, e cala quando lhe apontam erros. Tem um sorriso bonito, mas frequente demais. 

menino, sua cara revela sua idiotice, é jovem e prepotente - não carrega nenhuma rastro do charme da prepotencia juvenil, porque não acompanham a intelegência, se não um fraco senso de didatismo. 

menino, rosto jovem esconde seu olho acostumado. Parece verdadeiramente generoso, fala com simpatia, é agil e pensa de maneira inteligente. 

menina, seu rosto arredondado e voz salivar escondem uma maturidade fresca e jovem. Fala com cuidado e envolvimento, pode cometer equívocos, mas tem cuidado na hora de se colocar.

menina, é muito jovem. permanece em silêncio, tímida e empolgada.

menino, é jovem mas seu rosto é sujo de idade. O olhar é ligeiramente esvaziado, o bigode grosso da algo de clownesco. É agil e generoso, seu rosto parece mais restritivo. Escuta tão bem quanto fala.

menina, é jovem e charmosa.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

 E se te mediam, tomavam régua, trena e compasso, mas não tinham ali as ferramentas adequadas para tomar sua verdadeira altura. Alguns tomaram emprestados ferramentas variadas, e estimularam jovens que buscasse soluções para medir seus passos e a envergadura do seu corpo. Outros, forçaram suas ferramentas sob seu corpo, deixando gravadas na sua pele uma sequência de vários números. Os mais sábios largaram o que tinham em mãos e logo se ajoeilharam, em busca de perdão. 

terça-feira, 14 de abril de 2026

Forma: sólido, move-se pesadamente pela sala, é composto de parte metálicas, sua articulação é mecânica. Seu formato é seco, sujo, o espaço ao seu redor é limpo. Sai de si um som misteriosamente, continuamente e em lopping, diz algo como:

escrevem como não se deixassem acreditar que a primeira máscara que lhe botam ao rosto contêm a verdade, toda verdade, do que sabem dizer; que enunciam coisas com linhas e que se não as amarram ao corpo imenso de que é composto todos os corpos, do qual decompõem-se e reencontra-se um único ser a postular os limites que impede com que nos desagreguemos em compostos de que não se ordenam nada; dizem certezas vázias enquanto enumeram suas palavras como números ao que recorrem  sem que se preocupem com a extensão das coisas que dizem. Desafio-os que conhecam forma que não dure e que não se amarre e que não se dê dela coisa outra ou coisa alguma; desafio-os que percorram em linha reta o que se não discorre e que encontrem palavras ao que não se estabiliza; Desafio-os que continuem provando seus  nomes sem que saibam a verdade única do imenso senhor que serve e destrói tudo que acreditam serem capazes de dizer com os firmamentos das palavras que sempre, e mais sempre, emprestam de outro que carrega consigo, este sim, a força de dizer o que se diz quando não há palavras de outros servindo de firmamento, e não se emprega em exercício infindável de saudar o passado, de saudar tudo que nos antecedeu como se dissesem coisas que não fosse a certeza que se alternam temperamentos e corpo em que se encarnam, mas que por demais tudo permanece certamente igual. E traem-se a si mesmos e, se não, aqueles que dizem defender por que se rendem cedo de mais à vida e emprestam cedo de mais julgamentos que servem a dizer o tamanho, somente, da soberba com que enumeram o tamanho do mundo; para que digam, satisfeitos, resolutos, senhores de alguma cultura que dizem não querer, mas que sabem pretender ordenar, sem que saibam que a ordem das coisas se faz de dentro à fora e que nasce de um germe insano de uma única palavra que torceu-se errado e que todo resto desdobra-se como um movimento que se segue em sucessões sucessívas sem que se encontre a ordem exata em que tomou forma como um passo próprio e determinado. Porque se afeiçoam ao andar único de um pequeno e restrito passo, de onde tiram a certeza de quererem discorrer sobre a caminhada e dizer que sigam os homens os seus próprios passos: adulam, idolatram, falseiam e julgam não existir qualquer coisa que se diga de extensão de verdade e de extensão que seja maior, que é do tamanho de um Deus que se toca, e que se consome, não porque se adula, não porque se idolatra, mas porque se consome em fogo. Fogo e não porque te dizem as palavras dos homens, mas porque recebe em mandamento divino ordenamento que te direciona a se alheiar e se investir no proprio alheamento e sim, embarcar, enfim, divino, aurático, projetar sobre o fogo fraco que anima as suas pobrezas, o sol apolo e dizer que desconhecem todos os ornamentos com que Deus recebe-nos, nós, e somente nós, em seu templo, sem que nos peça nada em troca, se não que sejamos fulgurosos como os raios que de si incide e que ornemo-nos como na forma com que se orna; mas que nos permite flertar mesmo com o andar invertido e que ornado, desornene-se enquanto vocês postulam cartulanos do mundo e vagueiam por ai miseráveis 

domingo, 12 de abril de 2026

 



retrato 2026. -> theatro municipal cenotécnica;
-> doing some reasearch seriously
-> intereset in broking things
-> not puppetry anymore
-> 

 Não se esqueçam as palavras dizem coisas que existem de VERDADE e as 

    palavras elas mesmas existem de VERDADE. Não se esqueçam de não viver DENTRO das palavras

mas também nãos se deixem esquecer dos PODERES das palavras. Não esquecer que as coisas não são 

ANEDOTAS e que cada coisa tem uma verdadeira ENERGIA. Insistir como práxis vital: ENCONTRAR 

O MÁXIMO ESTRANHAMENTO E JAMAIS SE ACONCHEGAR: se as palavras não te

 estranham é porque elas estão acomodadas. Se suas palavras não te estranham é porque permanece

 INERTE e esta ESQUECENDO de algo se não se ACOMODA e continua a se MOVER suas palavras 

rapidamente vão te soar ESTRANHAS são como IMPRESSÕES que se tira uma FOTOGRAFIA não 

esquecer ABSOLUTO que continuam se MOVENDO

 Lição de Nazareth, e de São Simeão, o estilita. viver no deserto

sábado, 4 de abril de 2026

Relato do encontro com um Louco. Diz o LOUCO a seu AMIGO

- Foi com 21 anos que vi deus pela primeira vez: ele se apresentou pulsante enquanto subia de ônibus a  avenida rebouças, era tarde. Pela janela, via os carros vibrarem todos a mesma aureula, enquanto memórias de uma caminhada enquanto o clima úmido do bairro faziam pensar que enquanto existiam asfaltos e casas e alguns prédios, ali, pela madrugada o clima era como o de quando havia uma floresta - não a floresta que existira, mas uma floresta que compunha com as paisagens mineiras um jardim inglês visto muito cedo, quando estava na casa dos 13 anos -. 

Sentado na biblioteca, não muito depois, lembro de ler Flusser: a cabeça piscando e meu corpo vibrando excitado; meu olhar nervoso procurava de que ritmo eram os tímbres de todas aqueles sentados, convictos de que, adornando, contornando, descreveriam, soberbos e certeiros, o que um louco, como eu, vê em um lapso. Em seguida, lembro de 4 livros serem abolidos perempetóriamente da minha estante, os quatro cavaleiros: Visão de Deus, De um tom apocalptico..., Post-History, e um quarto, que não me lembro bem ao certo o nome. Vista ou outra, quando julgava estar em estado de plena normalidade, coeso, andando ajustado e plenamente consciente dos meus movimentos via-os, mesmo que por relance e escondidos; bastava isto para que retornasse àquela espiral. À época, se me lembro bem, neu corpo, emagrecera cerca de 15kg, e algo perceptivelment fez com que recebesse breves comentários a respeito da saúde da minha alimentação e comentários carregando certo desejo a respeito do de alguma beleza que ali despontava -  junto aos primeiros lapsos de alguma vaidade. [A época, meu orgasmo era, estritamente, mental e, não fosse aquela sugestão de que meu corpo tinha algum valor, teria sido como outros, com quem dividiamos nosso amplo e mesquinho círculo social, que haviam derrocado à loucura muito cedo na vida]. 

Mesquinharia, mesmo, foi a solução que me pôs mais certeiramente vivo e de volta: por 30 dias, ininterruptos, masturbei-me de frente ao espelho, me toquei, senti minha cintura e meus mamilos e ejaculei, sentido desejo por meu próprio corpo. Nunca me interessou qualquer espelho, e até aquele  mês, desconhecia a forma de algumas partes do meu corpo que não estavam ao alcançe fácil da vista;  querendo, entretanto, entornar de volta ao meu corpo, deixei por 30 vezes o meu olhar acompanhar decidido a mim mesmo. [Lembro que mais tarde, quando sóbrio, justifiquei estes atos com um trecho de romance barato em que dizia ser a personagem afeita aos espelhos, menos por vaidade do que pela genúina inquisição dos próprios limites do seu corpo]. Certo é que, À época, bastou isso. 

sexta-feira, 6 de março de 2026

duas cenas


bela vista




Seu olho era saltado, o rosto seco, com alguma gordura, muitos víncos e manchas na pele. Disse com raiva e desespero:

- E eu atrasada para o trabalho e
a peste aqui do meu lado

anda logo, diabo.

cruzavam, em sentido oposto, dois jovens com passos acelerados, corpo certeiro, mente enlatada em café. A fala ruidoza atraiu um dos olhares que rapidamente viu, confusa, nascer na criança um sentimento fundo de vergonha e culpa. Lembrou-se da forma como os olhos infantis do seu antigo amor há pouco tempo tinha o indagado, breve e assustado: - o que quer de mim? Sem que soubesse responder, compadeceu com o olhar, mantendo o corpo parcialmente torcindo, enquanto dava passos cada vez mais distantes da criança. 
Tivesse tempo e não fosse o andar acelerado com que seguia seus passos, não visse de soslaio e já a distância com que flerta, seguro, a trovoada, se deixaria ali, nu, e partiria para o dia com que muito longe prostrou-se no céu a primeira núvem da tempestade. 
Assim seguiam os dois jovens, as promessa de futuro que há pouco tempo despontaram no horizonte.

-

uma obra

- esse barulho, será que não é que ele que te faz querer mijar?

Que tanto me pergunta e por que me toma como aquele que elegeu adorar? E de que falamos quando amontuamos feitos de que ainda não temos nenhum em mãos? Descobriram agora que, ao seu lado, sempre andou noutro ritmo os meus passos; e só agora se pergunta que ainda tem a dizer, qualquer um, que seja descompassado e simplesmente fora do ritmo? E a batida, com que marcam nossos passos, neste corredor no qual andamos empolgados, de uma lado a lataria e de outro um prédio nem tão antigo assim, não te faz querer mijar?  

É que no fim desse corredor o que quero te contar, não tem efeito de feito algum a se somar aos outros que marcam nossos passos, é, isso sim, minha história de amor, ali dobrando a esquina. É porque sempre me escutou tão bem, a que deve ser a você para quem, apoiado diante dos carros, endereço em segredo que amor não se cessa nem se resseta. Porque sei, que se escuta assim tão bem  é porque no fundo não lhe atingem as palavras por dentro de onde elas se escondem, e que elas batem e rebatem no ritmo com que a saem e voltam de boca a boca. E se a ela amo agora, te digo e confidencio, é porque não sei bem como dizer que quanto mais fundo vou às palavras e as procuro verdadeiramente dentro de mim, encontro elas presas a outro alguém de que, por sua vez, sei não saber mais dizer, nem soletrar em letras amor com minha boca. E me venho assim prostrado nos últimos dias, como quem sabe certo que sua boca diz amar com um tom que lá dentro não sabe dizer; e que por sua vez, o que vem lá de dentro, ele mesmo também, já não sabe mais chegar à boca. De modo que de canto a canto bate as paredes essa coisa que não tem nem a forma de palavra e nem do que ela deveria dizer, enquanto acende e piscam as luzes de um corredor e me põe, passo a passo, no ritmo do seu andar. 





















este  barulho

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

 Por que chora ? Sentada na janela do ônibus vejo uma lágrima cair dos seus olhos, pego na sua mão e

 penso nas lágrimas que tinha também para soltar. 

sábado, 3 de janeiro de 2026

Bialbero del Malvasia di Casorzo

Bialbero del Malvasia di Casorzo

Debaixo da coberta vocês se parecem bastante: o mesmo cabelo preto e pesado.

Mas se te envolvo com meus braços,  

Entre seu corpo e o dela, há aquela viagem para praia e a forma como nos deitamos diante da janela, em uma das primeiras vezes que dormimos juntos. 

Seu ronco não é feito de uma senhora solitária e sua casa não abriga uma pequena árvore. 

Nosso céu, aquele coberto pelas copas das árvores do cemitério,

 e meus pés ainda tocando os chão do antigo quintal da casa da sua mãe, 

onde derrubaram um a um todo silêncio com que te criaram, 

consigo ver daqui, sentado ao seu lado.

Com minha cabeça prostrada ao céu, pisava no chão; como me ensinam,

cada uma

escrevo palavras na minha mente que esqueço em vão, enquanto anoto 

cada uma

tento lembrar quando deixei que crescesse, lado a lado,

cima a cima, tão vivas e vigorosas,

cada uma.