O círculo é uma reta sem ambição

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Quem tem autoridade para analisar timtim por timtim a História? é quem sabe me dizer a razão de ser das coisas; mas, mal sabe, andando na rua, que cada passo seu rasga imensamente em um corte transversal e violento todas as páginas e seus infinitos parágrafos?


Como  conter a vida em linha, como hospedar todas as vozes do mundo no próprio solilóquio se cada palavra abriga um mundo dilatado no tempo.


                Quero uma puta sentando nas minhas costas, e outra pelada fumando um baseado pela bunda.                 Cinco vadias nuas e eu, mulher nua erguendo meu pau por ai. 

Vão me dizer varias coisas, e eu só vou carregar a certeza de que a cada esquina inauguro um novo tempo e descubro que por aqui se ama diferente, se sente diferente. Por aqui, se chora um pai diferente, e as mães carregam no peito toda uma tristeza que só aquieta quando acomodam no peito uma filha ou um filho diferente. Da esquina pra cá não há poemetos, certezas e nem Deus dispondo maravilhas pelos céus e pelas árvores; por aqui caminha-se mais certo e se transa mais bruto. 

Por aqui, não há diagrama que contenha o andar das ruas e os gritos escapando da academia; por aqui as mulheres podem todas andar nuas, viradas de ponta cabeça e os homem gritam peludos desejos enquanto masturbam seus filhos com promessas de futuro. Podem tudo isso, sem que saibam que no meio deles anda um estrangeiro, vestido como quem vêem expulso da terra prometida, carregando certezas sobre o jeito como que se erguem os prédios e as casas todas. 




Vou chorar sozinho no canto, quando descobrir que o homem é como uma planta que cresce rija e dura quando lhe dão água e sol; e murcha quando lhe apontam só a sombra, o frio e a noite. E que como o fungo da minha virilha, cresce satisfeito até que descubram seu traçado escamoso e seu aspecto podre.





quarta-feira, 15 de novembro de 2023

 ela é bonita porque tem olhinhos puxados, como os meus.



sexta-feira, 10 de novembro de 2023


                 

                                                      2023.happy as a master of pupetties. 2023

terça-feira, 7 de novembro de 2023

muito medo

Meu palpite para o verdadeiro apocalipse, para derradeira revelação: quando as coisas do mundo, a matéria, não resistir mais à vontade e à imaginação. Às vezes acho que o tempo é só o universo se fazendo sozinho, e que tudo que o homem toca é só um jeito da natureza se fazer.

Me apavora descobrir como meu mundo é feito: Meu mundo mesmo, das coisas cotidianas.

A mesa do meu quarto, na qual escrevo, é feita de pinus, envernizado e encerado; consigo hoje imediatamente visualizar como, bruta a madeira, aparelhada e cortada, parafusaram aqui e ali, instalaram dobradiças e rodízios, e puseram na ordem do dia esta pequena escrivaninha. Sei, não porque fui alfabetizado e dai ter lido algum manual, mas porque vi, não só um trabalho, distante e abstrato, mas um tipo de trabalho que conheço fazendo minha mesa ficar de pé. Tanto quanto, desde então soube que nem mesmo um homem experimentado, senhor de suas mãos, que conheça cada veio do seu palmo e mova com destreza milimetrica seus dedos, é capaz de por de pé uma única mesa, tão desnecessária. Faltariam às suas mãos o calor de um forno para fundir os metais dos parafusos, e os circuítos para por em funcionamento qualquer parafusadeira barata. Passei toda minha vida sem saber, sem realmente saber, que minha mão, ela sozinha, jamais seria capaz de construir uma única mesa...

Hoje sei que nem minhas pernas ando sem que me pertube a certeza de que há outros tantos para dobrar cada uma das minhas juntas. E que minhas mãos que tanto amo em sua artesania não são mais que carne frouxa sozinhas. Cada passo meu todo o universo é evocado: todo o universo, em sincrônia, me pede as contas, e me diz que posso seguir. A cada passo exigo de Deus uma resposta: e a ele, toda vez que ando, toda vez que pulso, por mais ligeiro que seja, é dada a escolha entre me devolver um sim ou um não. 

       tenho medo do o, tanto quanto do sim extendindo no máximo de sua extensão. Tenho medo do peso as pernas um dias venham a ter, das minhas mãos frágeis e quebradiças, dos milhões de passos que cobre uma única mesa; de que um único homem não seja mais capaz de nada. Há de chegar um dia que olhando o mundo qualquer um dê de ombros, certo de que com seu corpo não chegarrá com nem mesmo ao túmulo.