O círculo é uma reta sem ambição

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Os que vivem da substância da palavra e que insistem por efeito da crença em levar-se adiante, por acreditarem mesmo, indo em frente que a insistência desdobra sua substância e toma de seu sulco fartos e demorados goles, mas se encontram, enfim, com a matéria seca do que restou, prostrados na própria secura, são os que se deitam em solo árido e a sua volta, pórtircos anunciam adornadas e rebuscadas voltas e lhe apresentam firmes e certas toda sorte de engenhosas dialéticas, frente ao qual conseguem satisfeitos dobrar-se um a um os outros, resolutos e decididos, enquanto resta ainda mais do que a própria aspereza, a convocatória ao desencontro: do que o mundo mesmo suga sedento o suco de toda palavra de modo que não sobra nada, apenas seu corpo equivocado. 

Resta a matéria drenada das palavras: drenaram-se os amores, pelo esquecimento; drenaram-se as paixões, pela realidade. Resta firmar-se nas palavras para dizer o que resta quando secam-se as coisas. Mas secaram ainda esta palavras, deitaram-lhe sobre o sol para que charqueassem mais e mais e andou-se e andaram-se homem todos carregando por todo canto, cada pedaço único do extenso charco sem que pedissem nada além da resistência que se impusessem aos dentes. Mastigar, mastigar, mastigar; cada palavra mastigar, mastigar, mastigar insistêntemente, sem que haja vontade desejo ou fome senão um tempo extenso que não se curva nem aceita com que se dite o ritmo de seus passos, mastigar, insistêntemente, mastigar, até que estejam mastigadas por inteiro e não tendo mas destinação se não se encaminhar às suas próprias fezes.

domingo, 26 de abril de 2026

UMA CENA A SE DESENVOLVER, PERSONAGENS:

menina, discretamente tenta esconder sua inveja em palavras afáveis, acaba de conhecer e é  excessivamente cordial, parece interessada em encontrar possíveis fragilidades, ao mesmo tempo que demonstra desejo no olhar. Não sabe se toma partido de sua inveja ou se do desejo.

menina, falante, simpática, excessivamente comunicativa. Entrega-se pela boca, acredita que o agrado vêm das palavras e que o silêncio se assemelhe ao desrespeito. Parece mais insegura que segura, e cala quando lhe apontam erros. Tem um sorriso bonito, mas frequente demais. 

menino, sua cara revela sua idiotice, é jovem e prepotente - não carrega nenhuma rastro do charme da prepotencia juvenil, porque não acompanham a intelegência, se não um fraco senso de didatismo. 

menino, rosto jovem esconde seu olho acostumado. Parece verdadeiramente generoso, fala com simpatia, é agil e pensa de maneira inteligente. 

menina, seu rosto arredondado e voz salivar escondem uma maturidade fresca e jovem. Fala com cuidado e envolvimento, pode cometer equívocos, mas tem cuidado na hora de se colocar.

menina, é muito jovem. permanece em silêncio, tímida e empolgada.

menino, é jovem mas seu rosto é sujo de idade. O olhar é ligeiramente esvaziado, o bigode grosso da algo de clownesco. É agil e generoso, seu rosto parece mais restritivo. Escuta tão bem quanto fala.

menina, é jovem e charmosa.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

 E se te mediam, tomavam régua, trena e compasso, mas não tinham ali as ferramentas adequadas para tomar sua verdadeira altura. Alguns tomaram emprestados ferramentas variadas, e estimularam jovens que buscasse soluções para medir seus passos e a envergadura do seu corpo. Outros, forçaram suas ferramentas sob seu corpo, deixando gravadas na sua pele uma sequência de vários números. Os mais sábios largaram o que tinham em mãos e logo se ajoeilharam, em busca de perdão. 

terça-feira, 14 de abril de 2026

Forma: sólido, move-se pesadamente pela sala, é composto de parte metálicas, sua articulação é mecânica. Seu formato é seco, sujo, o espaço ao seu redor é limpo. Sai de si um som misteriosamente, continuamente e em lopping, diz algo como:

escrevem como não se deixassem acreditar que a primeira máscara que lhe botam ao rosto contêm a verdade, toda verdade, do que sabem dizer; que enunciam coisas com linhas e que se não as amarram ao corpo imenso de que é composto todos os corpos, do qual decompõem-se e reencontra-se um único ser a postular os limites que impede com que nos desagreguemos em compostos de que não se ordenam nada; dizem certezas vázias enquanto enumeram suas palavras como números ao que recorrem  sem que se preocupem com a extensão das coisas que dizem. Desafio-os que conhecam forma que não dure e que não se amarre e que não se dê dela coisa outra ou coisa alguma; desafio-os que percorram em linha reta o que se não discorre e que encontrem palavras ao que não se estabiliza; Desafio-os que continuem provando seus  nomes sem que saibam a verdade única do imenso senhor que serve e destrói tudo que acreditam serem capazes de dizer com os firmamentos das palavras que sempre, e mais sempre, emprestam de outro que carrega consigo, este sim, a força de dizer o que se diz quando não há palavras de outros servindo de firmamento, e não se emprega em exercício infindável de saudar o passado, de saudar tudo que nos antecedeu como se dissesem coisas que não fosse a certeza que se alternam temperamentos e corpo em que se encarnam, mas que por demais tudo permanece certamente igual. E traem-se a si mesmos e, se não, aqueles que dizem defender por que se rendem cedo de mais à vida e emprestam cedo de mais julgamentos que servem a dizer o tamanho, somente, da soberba com que enumeram o tamanho do mundo; para que digam, satisfeitos, resolutos, senhores de alguma cultura que dizem não querer, mas que sabem pretender ordenar, sem que saibam que a ordem das coisas se faz de dentro à fora e que nasce de um germe insano de uma única palavra que torceu-se errado e que todo resto desdobra-se como um movimento que se segue em sucessões sucessívas sem que se encontre a ordem exata em que tomou forma como um passo próprio e determinado. Porque se afeiçoam ao andar único de um pequeno e restrito passo, de onde tiram a certeza de quererem discorrer sobre a caminhada e dizer que sigam os homens os seus próprios passos: adulam, idolatram, falseiam e julgam não existir qualquer coisa que se diga de extensão de verdade e de extensão que seja maior, que é do tamanho de um Deus que se toca, e que se consome, não porque se adula, não porque se idolatra, mas porque se consome em fogo. Fogo e não porque te dizem as palavras dos homens, mas porque recebe em mandamento divino ordenamento que te direciona a se alheiar e se investir no proprio alheamento e sim, embarcar, enfim, divino, aurático, projetar sobre o fogo fraco que anima as suas pobrezas, o sol apolo e dizer que desconhecem todos os ornamentos com que Deus recebe-nos, nós, e somente nós, em seu templo, sem que nos peça nada em troca, se não que sejamos fulgurosos como os raios que de si incide e que ornemo-nos como na forma com que se orna; mas que nos permite flertar mesmo com o andar invertido e que ornado, desornene-se enquanto vocês postulam cartulanos do mundo e vagueiam por ai miseráveis 

domingo, 12 de abril de 2026

 



retrato 2026. -> theatro municipal cenotécnica;
-> doing some reasearch seriously
-> intereset in broking things
-> not puppetry anymore
-> 

 Não se esqueçam as palavras dizem coisas que existem de VERDADE e as 

    palavras elas mesmas existem de VERDADE. Não se esqueçam de não viver DENTRO das palavras

mas também nãos se deixem esquecer dos PODERES das palavras. Não esquecer que as coisas não são 

ANEDOTAS e que cada coisa tem uma verdadeira ENERGIA. Insistir como práxis vital: ENCONTRAR 

O MÁXIMO ESTRANHAMENTO E JAMAIS SE ACONCHEGAR: se as palavras não te

 estranham é porque elas estão acomodadas. Se suas palavras não te estranham é porque permanece

 INERTE e esta ESQUECENDO de algo se não se ACOMODA e continua a se MOVER suas palavras 

rapidamente vão te soar ESTRANHAS são como IMPRESSÕES que se tira uma FOTOGRAFIA não 

esquecer ABSOLUTO que continuam se MOVENDO

 Lição de Nazareth, e de São Simeão, o estilita. viver no deserto

sábado, 4 de abril de 2026

Relato do encontro com um Louco. Diz o LOUCO a seu AMIGO

- Foi com 21 anos que vi deus pela primeira vez: ele se apresentou pulsante enquanto subia de ônibus a  avenida rebouças, era tarde. Pela janela, via os carros vibrarem todos a mesma aureula, enquanto memórias de uma caminhada enquanto o clima úmido do bairro faziam pensar que enquanto existiam asfaltos e casas e alguns prédios, ali, pela madrugada o clima era como o de quando havia uma floresta - não a floresta que existira, mas uma floresta que compunha com as paisagens mineiras um jardim inglês visto muito cedo, quando estava na casa dos 13 anos -. 

Sentado na biblioteca, não muito depois, lembro de ler Flusser: a cabeça piscando e meu corpo vibrando excitado; meu olhar nervoso procurava de que ritmo eram os tímbres de todas aqueles sentados, convictos de que, adornando, contornando, descreveriam, soberbos e certeiros, o que um louco, como eu, vê em um lapso. Em seguida, lembro de 4 livros serem abolidos perempetóriamente da minha estante, os quatro cavaleiros: Visão de Deus, De um tom apocalptico..., Post-History, e um quarto, que não me lembro bem ao certo o nome. Vista ou outra, quando julgava estar em estado de plena normalidade, coeso, andando ajustado e plenamente consciente dos meus movimentos via-os, mesmo que por relance e escondidos; bastava isto para que retornasse àquela espiral. À época, se me lembro bem, neu corpo, emagrecera cerca de 15kg, e algo perceptivelment fez com que recebesse breves comentários a respeito da saúde da minha alimentação e comentários carregando certo desejo a respeito do de alguma beleza que ali despontava -  junto aos primeiros lapsos de alguma vaidade. [A época, meu orgasmo era, estritamente, mental e, não fosse aquela sugestão de que meu corpo tinha algum valor, teria sido como outros, com quem dividiamos nosso amplo e mesquinho círculo social, que haviam derrocado à loucura muito cedo na vida]. 

Mesquinharia, mesmo, foi a solução que me pôs mais certeiramente vivo e de volta: por 30 dias, ininterruptos, masturbei-me de frente ao espelho, me toquei, senti minha cintura e meus mamilos e ejaculei, sentido desejo por meu próprio corpo. Nunca me interessou qualquer espelho, e até aquele  mês, desconhecia a forma de algumas partes do meu corpo que não estavam ao alcançe fácil da vista;  querendo, entretanto, entornar de volta ao meu corpo, deixei por 30 vezes o meu olhar acompanhar decidido a mim mesmo. [Lembro que mais tarde, quando sóbrio, justifiquei estes atos com um trecho de romance barato em que dizia ser a personagem afeita aos espelhos, menos por vaidade do que pela genúina inquisição dos próprios limites do seu corpo]. Certo é que, À época, bastou isso.