Relato do encontro com um Louco. Diz o LOUCO a seu AMIGO:
- Foi com 21 anos que vi deus pela primeira vez: ele se apresentou pulsante enquanto subia de ônibus a avenida rebouças, era tarde. Pela janela, via os carros vibrarem todos a mesma aureula, enquanto memórias de uma caminhada enquanto o clima úmido do bairro faziam pensar que enquanto existiam asfaltos e casas e alguns prédios, ali, pela madrugada o clima era como o de quando havia uma floresta - não a floresta que existira, mas uma floresta que compunha com as paisagens mineiras um jardim inglês visto muito cedo, quando estava na casa dos 13 anos -.
Sentado na biblioteca, não muito depois, lembro de ler Flusser: a cabeça piscando e meu corpo vibrando excitado; meu olhar nervoso procurava de que ritmo eram os tímbres de todas aqueles sentados, convictos de que, adornando, contornando, descreveriam, soberbos e certeiros, o que um louco, como eu, vê em um lapso. Em seguida, lembro de 4 livros serem abolidos perempetóriamente da minha estante, os quatro cavaleiros: Visão de Deus, De um tom apocalptico..., Post-History, e um quarto, que não me lembro bem ao certo o nome. Vista ou outra, quando julgava estar em estado de plena normalidade, coeso, andando ajustado e plenamente consciente dos meus movimentos via-os, mesmo que por relance e escondidos; bastava isto para que retornasse àquela espiral. À época, se me lembro bem, neu corpo, emagrecera cerca de 15kg, e algo perceptivelment fez com que recebesse breves comentários a respeito da saúde da minha alimentação e comentários carregando certo desejo a respeito do de alguma beleza que ali despontava - junto aos primeiros lapsos de alguma vaidade. [A época, meu orgasmo era, estritamente, mental e, não fosse aquela sugestão de que meu corpo tinha algum valor, teria sido como outros, com quem dividiamos nosso amplo e mesquinho círculo social, que haviam derrocado à loucura muito cedo na vida].
Mesquinharia, mesmo, foi a solução que me pôs mais certeiramente vivo e de volta: por 30 dias, ininterruptos, masturbei-me de frente ao espelho, me toquei, senti minha cintura e meus mamilos e ejaculei, sentido desejo por meu próprio corpo. Nunca me interessou qualquer espelho, e até aquele mês, desconhecia a forma de algumas partes do meu corpo que não estavam ao alcançe fácil da vista; querendo, entretanto, entornar de volta ao meu corpo, deixei por 30 vezes o meu olhar acompanhar decidido a mim mesmo. [Lembro que mais tarde, quando sóbrio, justifiquei estes atos com um trecho de romance barato em que dizia ser a personagem afeita aos espelhos, menos por vaidade do que pela genúina inquisição dos próprios limites do seu corpo]. Certo é que, À época, bastou isso.
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