e agora que nós dois nos despedimos, te confidencio o segredo que pelo tempo que estivemos juntos guardei rigorsamente: um santo invertido, logo antes de te conhecer, tocou minhas pernas e deitou sobre minha coxa como você muitas vezes o fez, e me sugou e me chupou e tirou algo de mim. E naquele dia acordei assustado, imóvel. Helena, deitada do meu lado, me perguntou de maneira inocente: - o que houve? por que está tão assustado? Contei do meu sonho e da forma como te antevi, como me entreguei assutado ao teu santo invertido. E numa noite, muito mais tarde, você me disse, a selar meu destino: - sua vida será almadiçoada, por este socúbo que o duplo de mim.
e agora que o pacto se consumou afloram os primeiros desejos do meu corpo pactuário: desejar, simples e violentamente. E seu sexo não sei bem o que te herdou, se te livrou o santo inverso que a mim decidiu surgir e que a ti parecia querer escapar. E que agora, grande, imenso e irretornável anuncia com certeza triste, do fato consumado. Porque o corpo dela, já outra, me esquenta e me diz, tanto quanto, que é repleto de desejo cretino. E que se bem sei que meu coração dói, sei que é pelo mandamento invertido deste santo que consagro, maldito, tudo que me reservou em profecia.
Porque nasci para ser triste e dizer algo fundo do sulco da minha tristeza, e que se Deus da farta e irrestritamente a alguns e porque lhe cobra, de outro lado, algo mais fundo e dolorido. E a quem Deus não empresta nada de farto, se não da recorrência, da reincidência e de tudo que há de mais certo, é porque a eles nada há de grande, mas que, por isso mesmo, vivem sem que lhe doam os passos e sem que lhe pesem as palavras.
É de teu santo invertido de onde ergo meu palácio; e do meu gozo de que te liberto da tua maldição e a reinvidico a mim, como, enfim, pactuário.
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