exp. Tatiana Blass
divertido colocar temperatura na pinturas, mas também nada mais. Fica um pouco circense se a quentura do quadro não tem sentido outro que provocar supresa a uma gente aqui e a outra ali. Não sou desses chatos que acha que tudo tem que ter coisa maior, mas nem em se tratado de minoridades acho lá grande coisa. Mesmo as pinturas em si, tiradas de jogo meio performático e material, acho um tanto sem graça. Fico pensando como que bem articulada imagem e quentura, jogo performático, gestual e material, como poderia ser muito mais rico.
As pinturas que derretem, por exemplo, divertidas, mas exploram pouco as possibilidades que ela mesma abre. Ok, a pintura torna da noite ao dia: mas ora, da pra explorar mais coisa por ai, não? Mas bem, eu gosto. E deve ser lá uma materialidade dificil de controlar e calcular.
Mas bom, pelo que conheco da Tatiana Blass - tange o zero - sei que a praia dela é outra: é instalação, é a tridimensionalidade etc. Dai que a ideia, maravilhosa, decai para forma um tanto sem graça enquanto pintura. É como que a pintura fosse só suporte do gesto: imagino como seria a força do gesto comunhada com a força da imagem
igrejas que derretem em seus afrescos farsescos: que fazem do céu surgir cenas apocalpiticas. Que derretam anjos para dar formas a figuras monstruosas: Rostos que se deformem com o tempo, espaços que se decomponham. São possíbilidades infinitas, duma pintura inesgotável, duma pintura temporal... Mas há de ter a força da imagem, o trato da pintura. Só o gesto não basta: e como dizem, de boas intenções o inferno ta cheio.
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Aquelas no vidro então, parece coisa de macaquinho universitário, brincado de romper com os suportes tradicionais...
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Nas suas pinturas não tem lá muita coisa acontecendo: é tudo meio moroso e sem cadencia - surgem aqui e ali formas mais cromáticas como que para tentar seduzir o olhar: mas elas se articulam mal, se compõe mal e não tensionam o olhar à curiosidade. Se a proposta é compor, como parece, falta tensão, falta enigma e intriga. Se não for por ai, falta materialidade, falta dificuldade. Não sei, não gosto: parecem formas dadas e feitas e tratadas como que impressas por alguma impressora.
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