O círculo é uma reta sem ambição

sexta-feira, 22 de julho de 2022

Ana Prata

Da Ana Prata só tenho incomodos:



bonita a pintura, de fato. São cores bonitas aqui e ali, brincando ingenuas, despidas pro olhar. Coisa gostosa e alegre de se ver, coisa rica de brilho e interesse: são divertidas, são alegres. São pinturas que harmonizam bem com um sofá estapando e almofadas de veludo; com um vestidinho desses de marca comprado em brechó. Me encanto por Ana Prata como me encanto pelo estofado lindérrimo da casa da amiga da namorada do meu amigo; ou pelas lindas cores da calça daquele mulher que vi andando na rua outro dia. 
Não sei se sou ingenuo de acreditar que há algo mais para acreditar, mas me frusta a beleza que, ora, decoraria bem a sala de estar da casa de alguma senhora de óculos vermelho e personalidade constrangedoramente jovem. 



De Ana Prata da pra dizer, então, faz bonitos estofados. Se quer mais ou diz querer mais, acho que não: acho feliz que tenha gente que se contente com isto. Mas não acho que preste pra coisa alguma que não prencher as paredes de uma galeria: se ando lá muito metido a espiritual e quero dar às coisas densidade de um maniaco; ou se espero, por um misto de culpa e de compromisso social, que se proponha ao mundo algo mais que bonitas estamparias, ai são outros quinhentos. Agora, não me venham os criticos quererem postularem seus postulados em cima de materia inerte: divertido, nada mais. E digo que realmente me divirto.





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