O círculo é uma reta sem ambição

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

 Vou negar todos mils amores que tive em segredo, até que seja apenas um pequeno nó, amarrado no centro do meu peito. Vou odiar aquilo tudo que poderia ter sido, não fosse o rancor, não fosse a certeza triste de que sou e devo encarnar o silêncio e sumir como vazio. Vou negar que a vida é rica e florida porque um dia minha fantasia transbordou e eu afoguei. Vou negar. Vou empunhar com toda força este mastro que finco no meu vasto deserto onde me proclamei rei do meu imenso palácio, cravado na secura das pedras. Vou ter certeza de mandar cravar no monte mais alto do horizonte meu imenso rosto silecioso.

Quero te ver na minha frente, carrancudo, intransponível, distante. Quero te ver, quero te mirar, quero ver a extensão da tua aridez.

Quero que assim  eu chore. Por que toda vez que choro sinto meu corpo desinrigecer-se, perder-se, soltar-se. Queria escorrer deste olho até o olho de lá rasgando este deserto com o frenir caudaloso das lagrimas, queria chegar até lá. estar ao lado dos teuss rostos em todas suas infinitas incertezas. Queria ter estado ali, aos pés da minha imensa carranca, na vastidão do deserto; queria te conhecer de perto, como todos conheceram, sileciosa e árida carranca. Queria ter estado lá. 


Antes, havia tanto; hoje há tão pouco. E logo mais haverá menos ainda, na imensidão deste meu deserto, um imenso palácio, cravado na imensidão das pedras, no portão uma imensa estatua, como o portal de ishtar. Do outro lado, uma imensa carraca. 

Mas deixem me ir, não sei ao certo porque, preciso estar só a todo instante. e cada vez mais, só. não sei bem por que. Preciso erguer este palácio.



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