a cada passo que dou sei que me distâncio mais e mais do meu ponto de origem. E agora olho o mundo e vejo um imenso funil, aqui, enfim, é onde tudo se encerra, onde muito cedo morrem abortados todos os sonhos. É logo ali, a imensa máquina, deglutinando. Alí, sua hélice mortal, posta discreta pela secura que convenientemente lhe empresta a antessala do seu silencioso funil. Sei que de aqui em diante, diante da vista ao pé do vortex - uma imensa pilha de fetos - não se caminha sem contrair violentamente as pálpebras, e segurar firmemente o dedo contra as orelhas, enquanto nos impelem sempre mais a frente, no vertinoso ritimo com que damos nossos primeiros passos.
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